Há tempos que não posto nada. É que a Vida anda meio corrida e a Inspiração meio sumida. Porém, hoje ela me visitou (a Inspiração) e eis que surge “Ener-Sol“. Espero que gostem.
Futuro não muito distante.
A preocupação com o meio-ambiente e a utilização de energias renováveis e não agressivas ao meio-ambiente levou todos os países a instalarem placas de luz solar em cada residência do planeta. É lógico que a instalação fora cobrada dos proprietários, com pagamento em cinco anos. Ela foi escolhida como única e mais limpa fonte de energia, sendo proibida qualquer outra que prejudicasse o ecossistema do planeta.
Hidrelétricas foram demolidas e rios voltaram a correm livremente, usinas nucleares foram desativadas, com seus minérios radioativos devidamente armazenados e trancafiados em cofres tecnologicamente lacrados e carvoarias foram também demolidas.
A indústria da energia hidrelétrica, nuclear e carvão perderam sua mina de ouro, pois leis foram estabelecidas que os impedia de continuar com suas atividades. Porém, eles não desistiram de ganhar dinheiro e planejaram a criação e implantação de uma empresa em proporções mundiais.
A construção que se seguiu era algo que ninguém imaginava: uma redoma, composta de zilhões de placas rotativas e espelhadas (nas duas faces), ao redor de todo o planeta, controladas digitalmente por uma central escondida em algum lugar do subterrâneo do deserto do Saara.
Para construí-la, eles utilizaram a desculpa de que com a completa extinção da camada de ozônio, prevista para os próximos dez anos, ficaríamos à mercê dos raios ultravioletas emitidos pelo astro-rei, causando inúmeras fatalidades. Com a redoma os efeitos da falta da camada de ozônio seriam atenuados, os zilhões de placas poderiam movimentar-se para emitir luz indireta ao planeta, não sendo tão prejudicial quanto poderia ser.
O que não se sabia era que esta redoma seria utilizada para controlar a emissão de raios solares de acordo com taxas mensais cobradas de toda a população mundial.
Sem luz solar não era possível carregar as baterias domésticas através das placas solares instaladas nos telhados das residências e prédios em geral. Uma taxa deveria ser paga à nova empresa que surgira para controlar a emissão de luz solar, a ENER-SOL, para que pudéssemos ter nossos aparelhos eletrônicos funcionando.
Não demorou muito para que eles sobretaxassem a energia que emitiam. Altos valores sem nenhum critério lógico e conhecido para estabelecimento dos valores a serem pagos.
Quem não pagava ficava com a casa no escuro. O sistema foi tão bem planejado, que era possível movimentar as placas 360º graus e fazer iluminar apenas as residências pagantes (sim eles mapearam o mundo todo, separando-o em quadrantes e subquadrantes, onde cada subquadrante subdividia-se em cada residência/prédio existente).
Era fácil identificar quem não tinha condições de pagar a taxa solar ou deixara atrasar sua conta: sua casa ficava na penumbra durante o dia, enquanto as casas ao redor continuavam iluminadas e na completa escuridão durante à noite, enquanto as outras casas tinham lâmpadas acesas.
Organizações Não Governamentais em todo o mundo protestaram contra a construção da redoma reflexiva da ENER-SOL e tentaram inúmeras vezes sabotar as obras da mesma, porém sem muito sucesso. Até mesmo a Organização das Nações Unidas rendeu-se aos lobistas da ENER-SOL. Havia muitos poderosos a favor da construção da redoma, todos com pessoal infiltrado nas principais cadeiras políticas da quase totalidade dos países do mundo.
De certa forma, a ENER-SOL salvou o planeta, mas escravizou todos os seus moradores.
Até os governos e prefeituras tinham que pagar pela iluminação solar para locais públicos, como ruas, avenidas, praças e teatros.
E para completar a loucura, a ENER-SOL instituiu o dia do aniversário de criação da redoma como o “Dia Mundial da Luz Solar”. É um dia fora do calendário convencional, um dia que não é contado, um dia em que é dia no mundo inteiro, sem o problema do fuso horário. Eles conseguem fazê-lo porque, nesse dia, as placas são dispostas de uma forma na qual refletem luz para todos os cantos do globo, deixando-o completamente iluminado. Não importa onde o sol esteja, as placas se movem deixando a luminosidade perdurar com a mesma intensidade durante vinte e quatro horas.
No “Dia Mundial da Luz Solar” até quem não pagou suas contas recebe iluminação. São as vinte e quatro horas mais estranhas que se tem notícia.
E agora, a ENER-SOL, está com um projeto quase aprovado pelos países do globo, no qual o dia e a noite serão de responsabilidade da própria ENER-SOL. Ela controlará quantas horas o dia terá e quantas horas a noite terá em cada país ou conjuntamente no planeta.
É o começo do FIM.











