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ENER-SOL…

Há tempos que não posto nada. É que a Vida anda meio corrida e a Inspiração meio sumida. Porém, hoje ela me visitou (a Inspiração) e eis que surge “Ener-Sol“. Espero que gostem.

Futuro não muito distante.

A preocupação com o meio-ambiente e a utilização de energias renováveis e não agressivas ao meio-ambiente levou todos os países a instalarem placas de luz solar em cada residência do planeta. É lógico que a instalação fora cobrada dos proprietários, com pagamento em cinco anos. Ela foi escolhida como única e mais limpa fonte de energia, sendo proibida qualquer outra que prejudicasse o ecossistema do planeta.

Hidrelétricas foram demolidas e rios voltaram a correm livremente, usinas nucleares foram desativadas, com seus minérios radioativos devidamente armazenados e trancafiados em cofres tecnologicamente lacrados e carvoarias foram também demolidas.

A indústria da energia hidrelétrica, nuclear e carvão perderam sua mina de ouro, pois leis foram estabelecidas que os impedia de continuar com suas atividades. Porém, eles não desistiram de ganhar dinheiro e planejaram a criação e implantação de uma empresa em proporções mundiais.

A construção que se seguiu era algo que ninguém imaginava: uma redoma, composta de zilhões de placas rotativas e espelhadas (nas duas faces), ao redor de todo o planeta, controladas digitalmente por uma central escondida em algum lugar do subterrâneo do deserto do Saara.

Para construí-la, eles utilizaram a desculpa de que com a completa extinção da camada de ozônio, prevista para os próximos dez anos, ficaríamos à mercê dos raios ultravioletas emitidos pelo astro-rei, causando inúmeras fatalidades. Com a redoma os efeitos da falta da camada de ozônio seriam atenuados, os zilhões de placas poderiam movimentar-se para emitir luz indireta ao planeta, não sendo tão prejudicial quanto poderia ser.

O que não se sabia era que esta redoma seria utilizada para controlar a emissão de raios solares de acordo com taxas mensais cobradas de toda a população mundial.

Sem luz solar não era possível carregar as baterias domésticas através das placas solares instaladas nos telhados das residências e prédios em geral. Uma taxa deveria ser paga à nova empresa que surgira para controlar a emissão de luz solar, a ENER-SOL, para que pudéssemos ter nossos aparelhos eletrônicos funcionando.

Não demorou muito para que eles sobretaxassem a energia que emitiam. Altos valores sem nenhum critério lógico e conhecido para estabelecimento dos valores a serem pagos.

Quem não pagava ficava com a casa no escuro. O sistema foi tão bem planejado, que era possível movimentar as placas 360º graus e fazer iluminar apenas as residências pagantes (sim eles mapearam o mundo todo, separando-o em quadrantes e subquadrantes, onde cada subquadrante subdividia-se em cada residência/prédio existente).

Era fácil identificar quem não tinha condições de pagar a taxa solar ou deixara atrasar sua conta: sua casa ficava na penumbra durante o dia, enquanto as casas ao redor continuavam iluminadas e na completa escuridão durante à noite, enquanto as outras casas tinham lâmpadas acesas.

Organizações Não Governamentais em todo o mundo protestaram contra a construção da redoma reflexiva da ENER-SOL e tentaram inúmeras vezes sabotar as obras da mesma, porém sem muito sucesso. Até mesmo a Organização das Nações Unidas rendeu-se aos lobistas da ENER-SOL. Havia muitos poderosos a favor da construção da redoma, todos com pessoal infiltrado nas principais cadeiras políticas da quase totalidade dos países do mundo.

De certa forma, a ENER-SOL salvou o planeta, mas escravizou todos os seus moradores.

Até os governos e prefeituras tinham que pagar pela iluminação solar para locais públicos, como ruas, avenidas, praças e teatros.

E para completar a loucura, a ENER-SOL instituiu o dia do aniversário de criação da redoma como o “Dia Mundial da Luz Solar”. É um dia fora do calendário convencional, um dia que não é contado, um dia em que é dia no mundo inteiro, sem o problema do fuso horário. Eles conseguem fazê-lo porque, nesse dia, as placas são dispostas de uma forma na qual refletem luz para todos os cantos do globo, deixando-o completamente iluminado. Não importa onde o sol esteja, as placas se movem deixando a luminosidade perdurar com a mesma intensidade durante vinte e quatro horas.

No “Dia Mundial da Luz Solar” até quem não pagou suas contas recebe iluminação. São as vinte e quatro horas mais estranhas que se tem notícia.

E agora, a ENER-SOL, está com um projeto quase aprovado pelos países do globo, no qual o dia e a noite serão de responsabilidade da própria ENER-SOL. Ela controlará quantas horas o dia terá e quantas horas a noite terá em cada país ou conjuntamente no planeta.

É o começo do FIM.

filme-1

Escrevi este início de conto a pedido do Dead Clown (vulgo Ivorosnniessom). Por enquanto, só escrevi esta primeira parte. Em breve escrevo uma continuação.

O ano é 2052. Poucos são os humanos que ainda resistem à grande praga. Animais inexistem. Insetos se proliferam em escala geométrica. A superfície terrestre é praticamente inabitável. E tudo por causa ‘deles’. ‘Eles’ transformaram a Terra numa latrina gigante, onde nada além ‘deles’ e de vermes e insetos se perpetuam. As escassas plantas que sobreviveram, tornaram-se gigantes diante de tanto adubo. E nós, sobreviventes da raça humana, nos escondemos no subterrâneo, sob a raiz de uma dessas plantas gigantescas, nos alimentando dela mesma.

Há quarenta anos, quando ‘eles’ chegaram, trouxeram filosofias chulas de idolatria às fezes. Dizendo que suas propriedades adubadoras seriam uma das propriedades básicas para proliferação da inteligência e da vida no Universo. Porém, o que realmente aconteceu foi que seus “cultos ao cocô” transformaram a Terra num SACO DE MERDA ENORME flutuando no Sistema Solar.

Prevendo a extinção da raça humana, um laboratório na antiga região do Brasil, criou um tipo de filme fotográfico resistente a qualquer tipo de ambiente ou produto, utilizaram inclusive DNA de baratas para alcançar a resistência à radioatividade. A esse novo e único filme foi dado o nome de Filme Eternográfico. De posse desse filme, uma equipe de cientistas, professores, diretores de cinema, fotógrafos e literários gravaram todo o conhecimento sobre, e produzido, pela raça humana que pudesse ser relevante para futuras civilizações.

Este Filme Eternográfico foi confiado a um humano íntegro e assim ficou decidido que o filme deveria passar de geração em geração sempre para homens íntegros, de bom caráter, que saberiam proteger bem o artefato mais valioso do mundo.

Mas algo deu errado. O último homem íntegro, ainda vivo, neste ano de 2052, um Militar encarregado de portar o Filme Eternográfico, foi infectado durante uma tentativa fracassada de roubar tecnologia alienígena para estudos e precisou passar o Filme Eternográfico ao primeiro ser humano que encontrou pela frente ao voltar para o subterrâneo e falecer aos pés no novo ‘portador’ do filme.

O problema começa quando este ser humano é um rapaz atrapalhado e demente, que sequer sabe da existência ‘deles’, chamado “Moco Rongo”.

Continua… (não sei quando, mas continua!)

Solidão Felina…

banner solidao felina

Há tempos quero escrever uma história com este gato da imagem, mas só agora a história surgiu. Está aí. Confiram e opinem!

Havia algum tempo que estava ali, parado. A sensação de aperto em seu peito crescia cada vez mais. Sentia-se completamente perdido. E, de fato, estava.

O frio abaixo de zero não lhe afetava a pele, aquecida por seus negros pêlos, mas começava a congelar seu pequeno coração.

Na imensidão das planícies nevadas, era apenas um ponto preto minúsculo na vastidão esbranquiçada.

Seus olhos amarelo-alaranjados brilhavam com a última chama de esperança que seu coração ainda teimava em guardar. Esperança esta de que alguém, não um alguém qualquer, mas ‘aquele’ alguém que o conhecia e pelo qual afeiçoara-se, apareceria a qualquer momento e o pegaria em seus braços aquecidos e o levaria para longe daquele deserto branco e congelante.

Até onde a vista alcançava não enxergava um único ser vivo além de si mesmo.

Lamentava-se, agora, ter pulado do trenó. Pensava que pudesse alcançá-lo facilmente, porém os desprezíveis cães eram mais ligeiros do que aparentavam. Talvez até tenham acelerado a corrida para deizá-lo para trás.

O fato é que, neste exato momento, encontrava-se sentado na neve branca, tão linda e tão terrivel. Não movia nenhum músculo e quase não piscava, com medo que pudesse perder uma oportunidade de salvar-se… ou ser salvo.

O que ele não conseguia perceber é que, mesmo que quisesse se mover, não conseguiria, pois suas patas já haviam congelado. Seu pequeno e frágil corpo já mantinha o calor apenas em orgãos vitais com o mínimo para sua sobrevivência pelo máximo de tempo possivel.

Enquanto sua mente vagava em conjecturas, seu corpo sucumbia ao poder gélido da imensidão nevada. Uma nevasca iniciava. Nunca seria encontrado.

Horas mais tarde…

solidao felina

Um grito é ouvido da solidão da neve:

“ULISSES! VEM CÀ GAROTO!”

Um jovem caminhava pela neve, enfrentando a nevasca que se iniciava, para encontrar seu companheiro peludo que cairá do trenó.

Vou encontrá-lo!” afirmava mentlamente o garoto, para não amolecer perante a força da natureza fria e inóspita.

Olhava para todos os lados, como que escaneando cada centímetro da planície para encontrar qualquer pista que pudesse levá-lo a encontrar seu amigo.

Pensava em desistir, quando avistou dois pontos amarelos brilhantes mais ao norte. Seu coração encheu-se de esperança.

Correu. Tropeçou. Engoliu um pouco de neve. Levantou-se. E correu novamente. Até alcançar os dois pontos amarelos.

Por favor, esteja vivo!” – gritava a plenos pulmões enquanto ajoelhava-se na neve e cavava.

Cavava e cavava, jogando neve para todos os lados. Aos poucos o pequeno corpo negro de Ulisses aparecia. Puxou-o para fora da neve e abraçou-o. Ulisses não se movia.

O frio intenso somado à solidão emocional em que Ulisses, o gato, encontrava-se foram suficiente para congelá-lo por completo, deixando-o como uma estátua negra no vasto branco da paisagem.

Vendo o amigo naquele estado, lágrimas brotaram de seus inocentes olhos.

NÃO!” – berrou na imensidão, enquanto as lágrimas jorravam, transformando-se em pequeninas pedras de gelo ao entrarem em contato com o ar gélido.

E lá o garoto  ficou, ajoelhado na neve, a lamentar a perde do único e melhor amigo que jamais tivera.

FIM

O cravo e a rosa

Depois de tempos sem escrever nada, volto a postar uma história que não foi pensada por mim, mas pela minha incrível e criativa esposa. Segue abaixo:

O Cravo e a Rosa

A história que inspirou a música

——————

“O Craaavo, brigou com a Rooosa…”

- O Cravo brigou com a Rosa porque foi abracá-la e acabou espetado pelos espinhos dela.

“… debaaaixo, de uma sacaaada…”

- Local onde a Rosa cresceu e floresceu, ou seja, a casa dela.

… o Craaavo, saiu feriiido…”

- Pelos espinhos da Rosa.

“…e a Roosa, despedaçaaada.”

- Por ter ferido seu grande amor, a Rosa ficou emocionalmente abalada, o que lhe causou uma queda de pétalas (que é como uma queda de cabelos) .

“O Craaavo, ficou doeeeente…”

- Os espinhos da Rosa continham veneno (nenhum dos dois sabiam disso).

“…e a Rooosa, foi visitaaar…”

- Para tentar reparar o erro cometido.

“…o Craaavo, teve um desmaaaio…”

- O cara tava bem mal mesmo!

“…e a Rooosaaa, pô-se a choraaar.”

- Ela realmente estava sentindo-se culpada, porque o camarada Cravo quase bateu as botas, ou melhor, as raízes.

Acontece que depois disso, o Cravo não resistiu e faleceu. A Rosa, de tanta tristeza, cortou todos os seus espinhos e faleceu pouco tempo depois.

Esta última parte não foi transformada em música por ser triste demais para que as crianças cantassem.

FIM

———

P.S.: Obrigado, Amor! Pela história/ideia/inspiração. Agora você tem que fazer um desenho dessa história, daqueles que só você sabe fazer!

programa de demissão voluntaria

Mais um dia normal no escritório. Em outras palavras, mais um dia entediante. O silêncio imperava na ampla sala. O barulho dos teclados sendo pressionados, calculadoras apitando, respirações intranqüilas. Todos os presentes cabisbaixos, mergulhados em seus monitores, perdidos em planilhas, contratos, declarações e relatórios, entrincheirados em suas mesas-divisórias.

Arthur era invejado pelos colegas, afinal, sua mesa ficava ao lado da imensa janela envidraçada. Fingia que trabalhava, enquanto navegava na internet, procurando matar o tempo. Pesquisava, como de costume, no Google e visitava as páginas. Clicou em um link qualquer e para sua surpresa tudo sumiu! A tela do computador ficou totalmente preta! Desesperou-se!

“PUT*QUEOPAR*U! QUEIMEI ESSA MERD*!”, pensava aflito, enquanto esticava o pescoço olhando ao redor para certificar-se de que nenhum supervisor estivesse por perto.

“TÔ NA RUA! TÔ NA RUA!”, gritava dentro de seus pensamentos.

Então letras começaram a aparecer na tela, uma de cada vez até formarem uma palavra e logo uma frase:

VOCÊ PEDIU AJUDA

“Eu não pedi ajuda de ninguém pra nada!”, disse sussurrando.

SUA VIDA ENTEDIANTE ACABARÁ

“Mas que papo é esse?”, disse baixinho.

CUIDADO COM O HOMEM ESFARRAPADO

“Que diabos! Alguém deve estar…

Nesse momento um homem com as roupas todas rasgadas escancara a porta da sala. Ele corre em direção ao ponto onde Arthur encontra-se. Aterrorizado e tremendo, Arthur abaixa pedindo baixinho “Por favor, por favor, por favor, não me machuque!”. O homem saltou por cima dele jogou-se contra a imensa janela envidraçada. Enquanto os estilhaços da janela ainda flutuavam pela sala, o homem caía para a morte certa.

“Meu deus! Meu deus! Isso tá parecendo Matrix!”

E novamente uma frase se formou na tela negra do computador:

AQUI É DA MATRIZ. VOCÊ CONFIA EM NÓS?

“Caracas! É da Matrix, sim! Claro que confio!”, falava Arthur em alto e bom som para quem quisesse ouvir.

PULE PELA JANELA. VÁ ATRÁS DO HOMEM ESFARRADO.

Disse a tela do computador, ou melhor, a “MATRIZ”.

Arthur não pensou duas vezes, subia em sua mesa e saltou para a queda livre. Mas não havia nada lá para salvá-lo. Encontrou a morte na calçada.

 

Uma semana antes.

Sala da Diretoria da Empresa. O diretor conversa com o Gerente de RH, juntamente com o Gerente de TI.

“Como está aquele novo ‘Programa de Demissão Voluntária’?”, pergunta o Diretor.

“Quase tudo pronto. Será o melhor ‘Programa de Demissão Voluntária’ já visto!”, disse o Gerente de RH, visivelmente extasiado.

“E como, exatamente, irá funcionar?”, questionou o Diretor.

“É bem simples!”, explicou o Gerente de TI, “No dia escolhido, numa hora qualquer, a tela do computador do funcionário ficará toda negra e uma mensagem aparecerá forçando-o a pedir demissão! É lógico que não é só isso, também ocorrerá algum evento estranho e talvez até ‘sobrenatural’ que o convencerá a seguir com as ordens emitidas pela tela negra e então… ELE SE DEMITIRÁ!”

“Maravilhoso!”, disse o Diretor, com um imenso sorriso estampado na face.

FIM

x-men origins wolverine

Dentes-de-Sabre, já com o abdômen em acelerada recuperação (ele também tem fator de cura), desferiu um golpe de esquerda na lateral do abdômen deWolverine, que sentiu, em milissegundos, as cinco garras afiadas da mão esquerda de Dentes-de-Sabre atravessarem sua pele, depois seus músculos, até alcançar um rim. A pele ardia, os músculos tremiam, a dor acompanhava todo o processo sem cessar. Sentiu a mão lá dentro se fechar e seu rim ser arrancado ferozmente. A dor era lancinante, incomodava muito, mas não o faria amolecer ou desistir da luta. Logo já estaria novinho em folha.

Wolverine revidava usando os outros sentidos enquanto Dentes-de-Sabreatacava com todas as forças. Golpe após golpe sentia a dor de ter a pele e músculos rasgados como papel e órgãos perfurados como aperitivos servidos com palitos de dente… de sabre.

Toda essa dor seria insuportável se o fator de cura não fosse tão rápido, mesmo assim, ainda sentia muita e muita dor. Esta dor também lhe fortalecia, aumentando seus níveis de adrenalina e raiva, por vezes liberavam ainda mais seu lado animal.

As imagens voltaram! Seus olhos estavam inteiros novamente. Dentes-de-Sabre agitava-se à sua frente. Estava bem onde queria. Rapidamente,Wolverine abaixou-se e com dois movimentos que não poderiam ser vistos por olhos comuns, cortara as duas pernas de Dentes-de-Sabre, que caiu no solo da floresta, agitando-se. 

Wolverine saltou em cima do corpo da grande fera, agora aleijada, desferindo golpes extremamente violentos, estraçalhando a cara, o peito, os braços e o que mais suas garras de adamantium encontravam no caminho.

Pronto. Agora Victor Creed, o Dentes-de-Sabre, estava tão destroçado que não incomodaria por um bom tempo. Wolverine afastou-se do corpo ‘quase’ inerte de Creed, recolheu suas garras sentindo as ‘pontadas’ na pele rasgando-se novamente para guardá-las carinhosamente entre seus músculos e os pequenos orifícios fechando-se rapidamente.

Olhou ao redor, procurou um cheiro específico e partiu em disparada.

FIM

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 x-men origins wolverine

O integrante mais invocado e animalesco dos X-men acaba de estrear um filme solo: “X-men Origins: Wolverine” (que é um bom filme, mas poderia ser melhor). E aproveitando o momento, escrevi um conto sobre ele.

Wolverine corria entre as árvores como se tivesse vivido ali sua vida inteira. Porém, era a primeira vez que entrara naquela floresta. Seus instintos guiavam-no através da densa vegetação, desviando-o de perigos apenas pela audição e olfato aguçados. Neste momento não há razão alguma controlando seus atos. De súbito, parou. Seu olfato identificara um odor familiar. A intensidade do odor indicava que estava próximo. Muito próximo. O vento cessou. Um silêncio incomum tomou conta da floresta. Inspirou profundamente para precisar a localização do portador daquele odor.  O ar penetrava as narinas, farfalhando os pêlos internos. O odor vem de cima, das árvores. Não fez menção de olhar para cima. O ar assoviou. Sem hesitar jogou seu corpo para o lado direito, rolando sobre galhos e folhas, evitando a pisada mortal desferida pela criatura que caíra intencionalmente no exato local onde, segundos antes, Wolverine encontrava-se. Os solados das botas do velho inimigo afundaram 

alguns centímetros no solo, tamanha a força desprendida naquele golpe.

Wolverine ‘sacou’ suas garras de adamantium. A dor da pele sendo rasgada por elas já não o incomodava. Eram como ‘picadas’ de injeções, só que 

pelo lado contrário. Sabia que assim que elas estivessem expostas, o fator de cura uniria sua pele com as garras como se elas já estivessem ali fora desde sempre. Também não se preocupava com a hora de repousá-las novamente dentro de seus braços, afinal, os ferimentos cicatrizariam na metade de “piscar de olhos”.

Encarou seu arquiinimigo, Dentes-de-Sabre. Também mutante, também selvagem. Muito mais selvagem. Aproveitando-se dos milésimos de segundos que Dentes-de-Sabre levaria para vencer as duas forças antagônicas que o seguravam inerte no solo, a gravidade e a sua própria vontade de levantar-se e saltar, Wolverine partiu pra cima dele com toda selvageria que existia dentro de seu coração.

O sexteto de garras adentrou o abdômen de Dentes-de-Sabre, fazendo-o urrar. Wolverine suspendeu-o no ar, pelo abdômen perfurado, enquanto continuava a correr alucinadamente até Dentes-de-Sabre chocar-se com a árvore mais próxima. Prensado entre a árvore e Wolverine, ele não tinha 

saída.

Wolverine retirou as garras do abdômen de seu antagonista e desferiu uma série de golpes em seu abdômen, dilacerando suas entranhas. Direita, esquerda, direita, esquerda. Foram muitos golpes. Mas quando a razão voltou à mente de Wolverine por um breve momento, no qual pensou que aquilo poderia retardar seu oponente por tempo suficiente para pudesse desaparecer, foi surpreendido com as duas mãos de Dentes-de-Sabre segurando sua cabeça e, sem que houvesse tempo para reagir, seus olhos foram perfurados pelas garras afiadas de seu oponente.

Wolverine sentiu os olhos sendo pressionados e estourando dentro de sua cabeça. Tonteou um pouco ante a surpresa de um golpe tão baixo. Sabia que seus olhos de reconstituiriam em alguns minutos, mas seriam suficientes para que levasse um surra.

Continua…

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“Não sou deus algum!”, digo indignado. “Se você não é um deus, então por que acha que perdeu sua luminosidade e mesmo assim conseguiu sobreviver? Por que acha que consegue ver o que mais ninguém vê? Por que você acha que sente a natureza ao redor e a entende? Meu caro irmão, é chegada a hora de você voltar a ser quem realmente é para finalmente reparar seu grande erro”, Nanki deu um passo em minha direção e, mais rápido do que pude ver, colocou a mão esquerda sobre minha testa.

Depois disso o que vi foi um turbilhão de imagens e conversas…

… Estou apagando a chama de uma imensa esfera com um sopro frio…

… Nanki puxa para si mesmo o resto de chama que não se apagou…

… “QUE FOI QUE VOCÊ FEZ, IKATKI?”…

… vejo um mundo completamente imerso na escuridão…

… mas está repleto de pessoas tristes, tentando sobreviver no escuro…

… Nanki olha pra mim com raiva e dó ao mesmo tempo…

… Nanki está descendo ao planeta, vai entregar a chama do globo às pessoas…

… vejo agora um mundo repleto de pontos brilhantes, acho que são os Lumini…

… “…viverá entre eles para perceber o problema que causou”…

… “…dois mil anos voltarei para ver se compreendeu”…

Tempo presente. Caio sobre meus joelhos, desfazendo-me em lágrimas que não posso conter. Todas aquelas pessoas egocêntricas e mesquinhas, enxergando apenas metros à frente de seus umbigos, vivendo com extrema dificuldade. E tudo pelo meu ato egoísta.

Minhas mãos tocam a terra virgem da montanha que nenhum deles viu. Sinto através do Obscuri, toda a tristeza que causei ao apagar Solari, a esfera incandescente. Levantando-me, digo a Nanki “Sei o que devo fazer, irmão”. Ele, silenciosamente, apóia minha decisão e deixa escapar uma lágrima em seu rosto luminescente.

Dou-lhe um grande abraço, com a ternura e carinho que existe entre dois irmãos e neste ato, toda luminescência dele é transferida a mim. Levanto vôo, deixando-o lá embaixo. Ultrapasso a barreira do som. O vento toca cada centímetro da minha pele, a sensação é maravilhosa. A esfera apagada, antes chamada Solari, aproxima-se cada vez mais, mais, mais e mais até que meu corpo choca-se com o grande corpo celeste.

“Este é o fim de Ikatki, meu querido irmão. Todavia, é o início de uma nova era para Obscuri. Com Solari incandescente outra vez, a vida seguirá como deveria ter sido a dois mil anos”, Nanki termina a frase repleto de felicidade pelo mundo e infelicidade por seu irmão deixar de existir, dois sentimentos antagônicos coexistindo, assim como seu irmão foi, um Luminus por fora e um Obscuri por dentro… Luminus Obscuri.


FIM


Chegamos ao final da Saga de Ygor Slatvorg. Mas espera, não vá embora ainda! Domingo ainda tem a última parte:

Um epílogo de

Luminus Obscuri

no Blackbird

 

Gostaria de agradecer ao Edu, do Blackbird, por ser minha cobaia neste primeiro Jogos Textuais! Valeu Edu! Foi uma ótima parceria!

E gostaria de agradecer a todos que acompanharam a história até aqui! Fiquem atentos, em breve haverão mais Jogos Textuais!

Um abraço a todos!

 

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Desculpem a demora. Tive um final de semana agitado. Um abraço a todos e obrigado por continuarem aparecendo por aqui! 

OBS.: Leia as partes anteriores deste conto aqui no Expressionando e no Blackbird

 

Ouço um rugido, despertando-me de meus devaneios sobre deuses e lendas. É meu estômago. Estou a horas, talvez dias – não sei bem ao certo – vagando por este novo mundo que se descortina escurecido diante de meus olhos, que esqueci-me de algo básico.

Já nem sei mais como voltar para casa. Também não sinto vontade de regressar. Procuro alguma árvore que possa me oferecer seu fruto escuro para saciar esta fome que me aplaca.

Algo impressionante na escuridão é que outros sentidos, como olfato e tato se aguçam. Minhas mãos alcançam o que parece ser o tronco se uma árvore. Sinto, na ponta de meus dedos, as rachaduras e ranhuras do caule. Detenho-me mais alguns segundos, apenas sentido e percebo que a palma da minha mão pulsa intermitentemente em direção ao alto, tenho a sensação de que isto é a vida que corre dentro dela.

Suavemente um odor chega até minhas narinas. É um odor doce e ácido. Esta planta tem frutos!

Sigo o doce cheiro até alcançar algo macio e esférico. Peço à árvore, por gentileza, que me dê este fruto. Sem que faça esforço, ouço o fino galho que a prende ao fruto se romper. Agradeço com todo o coração.

Dou uma mordida. A casca é mole, mas azeda. Jogo fora. Depois várias e várias vezes depois retiro a casca e jogo fora, restando apenas o interior. Separo os gomos e, um a um, vou degustando-os. É uma laranja! E tão docinha!

Ao terminar, sinto-me revigorado para continuar com minha caminhada exploratória. É como fazer uma refeição completa. Como é possível? Apenas um fruto saciar toda minha fome e deixar-me repleto de energia? Será que a proximidade com a natureza nos distância da gula humana? Talvez.

Ouço um barulho na mata. Instintivamente volto meus olhos para onde viera o barulho tentando enxergar algo. Percebo que uma parte da escuridão se mexe. Dois pontos brancos brilham num relance. Meu coração acelera! Pareciam olhos! Existe mais alguém sem luminosidade neste mundo? “Quem é você?”, digo em voz alta sem receber resposta.

Ouço o vulto negro dentro da escuridão se mover. Ele está correndo. Vou atrás dele. “Pare, vamos conversar!”, grito, mas ele não pára.

Estamos há horas correndo. Passamos por alguns riachos. Subimos uma montanha. Vejo-o parado lá no topo. Em poucos segundos o alcanço.

Estamos frente a frente. “Meu nome é Akin…” – disse o vulto e ao  pronunciar seu nome, o brilho branco de seus olhos deu lugar à um corpo incandescente – “…E temos muito o que conversar, Ikatki”.

 

Continua…

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Leia a Parte I antes de prosseguir.

Sr. Schmitz sabe que as instalações da biblioteca são tão antigas que o sistema contra incêndio não funcionou. E com sua extensa experiência literária e de vida, tem consciência de que ele, sozinho (ou mesmo que tivesse ajuda), não conseguiria conter aquele incêndio. Bombeiros? Até que eles cheguem, toda a biblioteca já estará consumida pelo fogo.

Virou-se e correu. Correu até sua mesa. Pegou o livro que acabara de restaurar. “Preciso salvar o máximo de livros que puder!”. Correu até a ala Oeste e, para seu espanto, também estava em chamas! “POR QUÊ? POR QUÊ?”, gritava ele, dando meia volta correndo para as alas Norte e Sul.

Tudo era fogo. Ele mantinha-se agora, escorado em sua mesa, a mesa central da biblioteca, respirando com dificuldade e bastante aflito. “OS LIVROS! TODOS ELES!”, “NÃO!”, “VOU SALVAR ESTE LIVRO!” e olhando para aquele único livro em suas mãos, seguiu para detrás da mesa, abriu a segunda gaveta e retirou uma caixa de metal, retirou a placa que havia dentro, atirando-a ao chão. Colocou o livro dentro da caixa e fechou-a.

Abaixou-se tateando o piso de madeira, procurando uma saliência, uma madeira solta. Achou. Puxou o pedaço de madeira e um buraco revelou-se. Retirou o que nele continha: alguns pacotinhos de doces. Era diabético. Adorava comer doces escondido. Neste momento, os doces não significavam mais nada. Tudo o que pensava era em salvar aquele livro. Repousou a caixa com todo o cuidado dentro do buraco. Por alguns segundos deteve-se olhando aquela caixa metálica que continha uma obra grandiosa. Enquanto isso, atrás dele, as labaredas consumiam a enorme Biblioteca Albert Einstein. Estantes e livros despencavam das alturas, desmantelando-se em pedaços pretos de coisas queimadas.

Sr. Schmitz voltou a tapar buraco. Sentou-se em sua cadeira e aguardou o momento em que as chamas consumiriam seu corpo. Sentia-se impotente diante de tamanha magnitude. O fogo era algo belíssimo e aterrorizador. Quando este fogo finalmente se apagasse, ele não existiria mais, não existiriam mais bibliotecas no mundo, nem livros.

Exceto aquele que acabara de salvar.

FIM

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