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carro movido a ar comprimido

Recentemente o mundo tem se voltado para a questão da “quebra” das maiores montadoras de veículos dos EU da A. Pensando em solucionar esta questão, que já está causando aumento do desemprego em diversos estados americanos e o fechamento de centenas de concessionárias, Obama surge com pacotes de ajuda para que essas montadoras se reergam, mas com algumas condições: produzir carros menos nocivos ao meio ambiente, mais econômicos (para diminuírem a dependência ao petróleo que controla o mercado norte-americano) entre outras.

Após isso, surgiram (do nada) incontáveis reportagens sobre veículos elétricos sendo testados e com data para início de produção, outros já à venda ganhando destaque. O que acontece é que “abraçaram” o veículo elétrico como solução para os problemas de poluição veicular, mas essa não é a melhor solução! Este será somente um paliativo, que postergará a derrocada ecológica!

Pense comigo: digamos que os carros elétricos se popularizem. Em breve haveriam “postos de energia” prontos para que você possa abastecer seu veículo por um preço módico, com certeza igual ou superior ao preço da gasolina hoje. (você pode carregar na tomada da sua casa também mas isso aumentaria a conta de luz em 1000% para ser otimista!).

Pois bem, hoje já existe a preocupação de a energia pode não ser suficiente para os fins aos quais já é utilizada, imagine ter que recarregar milhões de veículos elétricos. Será preciso novas hidrelétricas para atender à demanda. Agora me responda: isso não vai prejudicar também o meio-ambiente? Áreas vastas sendo inundadas para que uma represa possa ser construída, milhares de espécies sendo assassinadas. Cidades inteiras serão prejudicadas pelo baixo nível dos rios devido às represas controlarem a vazão dos mesmos. Milhares de famílias serão atingidas.

Será que ninguém percebe? Ou o Lobby dos veículos elétricos é tão forte assim? Provavelmente a segunda opção é a correta. Se assim for, estaremos saindo da “Era do Monopólio das Empresas de Petróleo” para a “Era das Redes de Energia Elétrica”.

Mas veja, há luz no fim do túnel.

A solução perfeita, simples e inteligente para um combustível não-poluente já existe! Já é possível andar a 65 Km/h com um carro movido a AR! É isso, AR COMPRIMIDO! E ele se abastece sozinho! De AR! Quer uma idéia melhor do que esta? Simplesmente não existe! Por que ninguém faz alarde em torno desse carro? Por que não investem tudo o que tem num carro que REALMENTE fará a diferença para o planeta?

A humanidade deveria acordar e ver as burrices que faz em nome do ‘curto prazo’ e do ‘lucro exorbitante’ para pensar a LONGO PRAZO e no PLANETA!

Digamos NÃO ao CARRO ELÉTRICO!

Digamos NÃO ao VEÌCULO A GASOLINA, ÁLCOOL, DIESEL e BIODIESEL!

Digamos NÃO a TODAS AS FORMAS DE COMBUSTÍVEIS POLUENTES!

DIGAMOS SIM ao

CARRO MOVIDO a AR COMPRIMIDO!

Pois este é o verdadeiro

ECO-CARRO!

carro movido a ar comprimido

Sonho com um mundo onde as idéias ótimas sejam imediatamente aceitas e implantadas por todos.” – Smaily Prado

fotos-divertidas-de-animais-15-12

“Be Happy!”

programa de demissão voluntaria

Mais um dia normal no escritório. Em outras palavras, mais um dia entediante. O silêncio imperava na ampla sala. O barulho dos teclados sendo pressionados, calculadoras apitando, respirações intranqüilas. Todos os presentes cabisbaixos, mergulhados em seus monitores, perdidos em planilhas, contratos, declarações e relatórios, entrincheirados em suas mesas-divisórias.

Arthur era invejado pelos colegas, afinal, sua mesa ficava ao lado da imensa janela envidraçada. Fingia que trabalhava, enquanto navegava na internet, procurando matar o tempo. Pesquisava, como de costume, no Google e visitava as páginas. Clicou em um link qualquer e para sua surpresa tudo sumiu! A tela do computador ficou totalmente preta! Desesperou-se!

“PUT*QUEOPAR*U! QUEIMEI ESSA MERD*!”, pensava aflito, enquanto esticava o pescoço olhando ao redor para certificar-se de que nenhum supervisor estivesse por perto.

“TÔ NA RUA! TÔ NA RUA!”, gritava dentro de seus pensamentos.

Então letras começaram a aparecer na tela, uma de cada vez até formarem uma palavra e logo uma frase:

VOCÊ PEDIU AJUDA

“Eu não pedi ajuda de ninguém pra nada!”, disse sussurrando.

SUA VIDA ENTEDIANTE ACABARÁ

“Mas que papo é esse?”, disse baixinho.

CUIDADO COM O HOMEM ESFARRAPADO

“Que diabos! Alguém deve estar…

Nesse momento um homem com as roupas todas rasgadas escancara a porta da sala. Ele corre em direção ao ponto onde Arthur encontra-se. Aterrorizado e tremendo, Arthur abaixa pedindo baixinho “Por favor, por favor, por favor, não me machuque!”. O homem saltou por cima dele jogou-se contra a imensa janela envidraçada. Enquanto os estilhaços da janela ainda flutuavam pela sala, o homem caía para a morte certa.

“Meu deus! Meu deus! Isso tá parecendo Matrix!”

E novamente uma frase se formou na tela negra do computador:

AQUI É DA MATRIZ. VOCÊ CONFIA EM NÓS?

“Caracas! É da Matrix, sim! Claro que confio!”, falava Arthur em alto e bom som para quem quisesse ouvir.

PULE PELA JANELA. VÁ ATRÁS DO HOMEM ESFARRADO.

Disse a tela do computador, ou melhor, a “MATRIZ”.

Arthur não pensou duas vezes, subia em sua mesa e saltou para a queda livre. Mas não havia nada lá para salvá-lo. Encontrou a morte na calçada.

 

Uma semana antes.

Sala da Diretoria da Empresa. O diretor conversa com o Gerente de RH, juntamente com o Gerente de TI.

“Como está aquele novo ‘Programa de Demissão Voluntária’?”, pergunta o Diretor.

“Quase tudo pronto. Será o melhor ‘Programa de Demissão Voluntária’ já visto!”, disse o Gerente de RH, visivelmente extasiado.

“E como, exatamente, irá funcionar?”, questionou o Diretor.

“É bem simples!”, explicou o Gerente de TI, “No dia escolhido, numa hora qualquer, a tela do computador do funcionário ficará toda negra e uma mensagem aparecerá forçando-o a pedir demissão! É lógico que não é só isso, também ocorrerá algum evento estranho e talvez até ‘sobrenatural’ que o convencerá a seguir com as ordens emitidas pela tela negra e então… ELE SE DEMITIRÁ!”

“Maravilhoso!”, disse o Diretor, com um imenso sorriso estampado na face.

FIM

x-men origins wolverine

Dentes-de-Sabre, já com o abdômen em acelerada recuperação (ele também tem fator de cura), desferiu um golpe de esquerda na lateral do abdômen deWolverine, que sentiu, em milissegundos, as cinco garras afiadas da mão esquerda de Dentes-de-Sabre atravessarem sua pele, depois seus músculos, até alcançar um rim. A pele ardia, os músculos tremiam, a dor acompanhava todo o processo sem cessar. Sentiu a mão lá dentro se fechar e seu rim ser arrancado ferozmente. A dor era lancinante, incomodava muito, mas não o faria amolecer ou desistir da luta. Logo já estaria novinho em folha.

Wolverine revidava usando os outros sentidos enquanto Dentes-de-Sabreatacava com todas as forças. Golpe após golpe sentia a dor de ter a pele e músculos rasgados como papel e órgãos perfurados como aperitivos servidos com palitos de dente… de sabre.

Toda essa dor seria insuportável se o fator de cura não fosse tão rápido, mesmo assim, ainda sentia muita e muita dor. Esta dor também lhe fortalecia, aumentando seus níveis de adrenalina e raiva, por vezes liberavam ainda mais seu lado animal.

As imagens voltaram! Seus olhos estavam inteiros novamente. Dentes-de-Sabre agitava-se à sua frente. Estava bem onde queria. Rapidamente,Wolverine abaixou-se e com dois movimentos que não poderiam ser vistos por olhos comuns, cortara as duas pernas de Dentes-de-Sabre, que caiu no solo da floresta, agitando-se. 

Wolverine saltou em cima do corpo da grande fera, agora aleijada, desferindo golpes extremamente violentos, estraçalhando a cara, o peito, os braços e o que mais suas garras de adamantium encontravam no caminho.

Pronto. Agora Victor Creed, o Dentes-de-Sabre, estava tão destroçado que não incomodaria por um bom tempo. Wolverine afastou-se do corpo ‘quase’ inerte de Creed, recolheu suas garras sentindo as ‘pontadas’ na pele rasgando-se novamente para guardá-las carinhosamente entre seus músculos e os pequenos orifícios fechando-se rapidamente.

Olhou ao redor, procurou um cheiro específico e partiu em disparada.

FIM

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 x-men origins wolverine

O integrante mais invocado e animalesco dos X-men acaba de estrear um filme solo: “X-men Origins: Wolverine” (que é um bom filme, mas poderia ser melhor). E aproveitando o momento, escrevi um conto sobre ele.

Wolverine corria entre as árvores como se tivesse vivido ali sua vida inteira. Porém, era a primeira vez que entrara naquela floresta. Seus instintos guiavam-no através da densa vegetação, desviando-o de perigos apenas pela audição e olfato aguçados. Neste momento não há razão alguma controlando seus atos. De súbito, parou. Seu olfato identificara um odor familiar. A intensidade do odor indicava que estava próximo. Muito próximo. O vento cessou. Um silêncio incomum tomou conta da floresta. Inspirou profundamente para precisar a localização do portador daquele odor.  O ar penetrava as narinas, farfalhando os pêlos internos. O odor vem de cima, das árvores. Não fez menção de olhar para cima. O ar assoviou. Sem hesitar jogou seu corpo para o lado direito, rolando sobre galhos e folhas, evitando a pisada mortal desferida pela criatura que caíra intencionalmente no exato local onde, segundos antes, Wolverine encontrava-se. Os solados das botas do velho inimigo afundaram 

alguns centímetros no solo, tamanha a força desprendida naquele golpe.

Wolverine ‘sacou’ suas garras de adamantium. A dor da pele sendo rasgada por elas já não o incomodava. Eram como ‘picadas’ de injeções, só que 

pelo lado contrário. Sabia que assim que elas estivessem expostas, o fator de cura uniria sua pele com as garras como se elas já estivessem ali fora desde sempre. Também não se preocupava com a hora de repousá-las novamente dentro de seus braços, afinal, os ferimentos cicatrizariam na metade de “piscar de olhos”.

Encarou seu arquiinimigo, Dentes-de-Sabre. Também mutante, também selvagem. Muito mais selvagem. Aproveitando-se dos milésimos de segundos que Dentes-de-Sabre levaria para vencer as duas forças antagônicas que o seguravam inerte no solo, a gravidade e a sua própria vontade de levantar-se e saltar, Wolverine partiu pra cima dele com toda selvageria que existia dentro de seu coração.

O sexteto de garras adentrou o abdômen de Dentes-de-Sabre, fazendo-o urrar. Wolverine suspendeu-o no ar, pelo abdômen perfurado, enquanto continuava a correr alucinadamente até Dentes-de-Sabre chocar-se com a árvore mais próxima. Prensado entre a árvore e Wolverine, ele não tinha 

saída.

Wolverine retirou as garras do abdômen de seu antagonista e desferiu uma série de golpes em seu abdômen, dilacerando suas entranhas. Direita, esquerda, direita, esquerda. Foram muitos golpes. Mas quando a razão voltou à mente de Wolverine por um breve momento, no qual pensou que aquilo poderia retardar seu oponente por tempo suficiente para pudesse desaparecer, foi surpreendido com as duas mãos de Dentes-de-Sabre segurando sua cabeça e, sem que houvesse tempo para reagir, seus olhos foram perfurados pelas garras afiadas de seu oponente.

Wolverine sentiu os olhos sendo pressionados e estourando dentro de sua cabeça. Tonteou um pouco ante a surpresa de um golpe tão baixo. Sabia que seus olhos de reconstituiriam em alguns minutos, mas seriam suficientes para que levasse um surra.

Continua…

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“- Desculpe-me, eu não sabia!”

vote Mariana para Presidente

Votem na minha filha Mariana para presidente! Brincadeira! Estamos participando de uma promoção no site da Brandili e minha filha está concorrendo pra ganhar roupas da Brandili, mas pra isso ela precisa ser a mais votada.

Então, peço a ajuda de vocês, leitores do Expressionando!

Votem nela porque além de ter um rostinho lindo, ela também é muito simpática, muito esperta, risonha e tem uma gargalhada muito boa

Por favor! Votem na Mariana para ganhar a promoção! É só entrar na página do Fã Clube “Amamos a Gorduchita” e votar! Se quiser deixe um depoimento lá também!

Contamos com vcs! Eu e a Mariana!

Abraço!

pascoa 2009

luminus-obscuri-3

“Não sou deus algum!”, digo indignado. “Se você não é um deus, então por que acha que perdeu sua luminosidade e mesmo assim conseguiu sobreviver? Por que acha que consegue ver o que mais ninguém vê? Por que você acha que sente a natureza ao redor e a entende? Meu caro irmão, é chegada a hora de você voltar a ser quem realmente é para finalmente reparar seu grande erro”, Nanki deu um passo em minha direção e, mais rápido do que pude ver, colocou a mão esquerda sobre minha testa.

Depois disso o que vi foi um turbilhão de imagens e conversas…

… Estou apagando a chama de uma imensa esfera com um sopro frio…

… Nanki puxa para si mesmo o resto de chama que não se apagou…

… “QUE FOI QUE VOCÊ FEZ, IKATKI?”…

… vejo um mundo completamente imerso na escuridão…

… mas está repleto de pessoas tristes, tentando sobreviver no escuro…

… Nanki olha pra mim com raiva e dó ao mesmo tempo…

… Nanki está descendo ao planeta, vai entregar a chama do globo às pessoas…

… vejo agora um mundo repleto de pontos brilhantes, acho que são os Lumini…

… “…viverá entre eles para perceber o problema que causou”…

… “…dois mil anos voltarei para ver se compreendeu”…

Tempo presente. Caio sobre meus joelhos, desfazendo-me em lágrimas que não posso conter. Todas aquelas pessoas egocêntricas e mesquinhas, enxergando apenas metros à frente de seus umbigos, vivendo com extrema dificuldade. E tudo pelo meu ato egoísta.

Minhas mãos tocam a terra virgem da montanha que nenhum deles viu. Sinto através do Obscuri, toda a tristeza que causei ao apagar Solari, a esfera incandescente. Levantando-me, digo a Nanki “Sei o que devo fazer, irmão”. Ele, silenciosamente, apóia minha decisão e deixa escapar uma lágrima em seu rosto luminescente.

Dou-lhe um grande abraço, com a ternura e carinho que existe entre dois irmãos e neste ato, toda luminescência dele é transferida a mim. Levanto vôo, deixando-o lá embaixo. Ultrapasso a barreira do som. O vento toca cada centímetro da minha pele, a sensação é maravilhosa. A esfera apagada, antes chamada Solari, aproxima-se cada vez mais, mais, mais e mais até que meu corpo choca-se com o grande corpo celeste.

“Este é o fim de Ikatki, meu querido irmão. Todavia, é o início de uma nova era para Obscuri. Com Solari incandescente outra vez, a vida seguirá como deveria ter sido a dois mil anos”, Nanki termina a frase repleto de felicidade pelo mundo e infelicidade por seu irmão deixar de existir, dois sentimentos antagônicos coexistindo, assim como seu irmão foi, um Luminus por fora e um Obscuri por dentro… Luminus Obscuri.


FIM


Chegamos ao final da Saga de Ygor Slatvorg. Mas espera, não vá embora ainda! Domingo ainda tem a última parte:

Um epílogo de

Luminus Obscuri

no Blackbird

 

Gostaria de agradecer ao Edu, do Blackbird, por ser minha cobaia neste primeiro Jogos Textuais! Valeu Edu! Foi uma ótima parceria!

E gostaria de agradecer a todos que acompanharam a história até aqui! Fiquem atentos, em breve haverão mais Jogos Textuais!

Um abraço a todos!

 

luminus-obscuri-2

Desculpem a demora. Tive um final de semana agitado. Um abraço a todos e obrigado por continuarem aparecendo por aqui! 

OBS.: Leia as partes anteriores deste conto aqui no Expressionando e no Blackbird

 

Ouço um rugido, despertando-me de meus devaneios sobre deuses e lendas. É meu estômago. Estou a horas, talvez dias – não sei bem ao certo – vagando por este novo mundo que se descortina escurecido diante de meus olhos, que esqueci-me de algo básico.

Já nem sei mais como voltar para casa. Também não sinto vontade de regressar. Procuro alguma árvore que possa me oferecer seu fruto escuro para saciar esta fome que me aplaca.

Algo impressionante na escuridão é que outros sentidos, como olfato e tato se aguçam. Minhas mãos alcançam o que parece ser o tronco se uma árvore. Sinto, na ponta de meus dedos, as rachaduras e ranhuras do caule. Detenho-me mais alguns segundos, apenas sentido e percebo que a palma da minha mão pulsa intermitentemente em direção ao alto, tenho a sensação de que isto é a vida que corre dentro dela.

Suavemente um odor chega até minhas narinas. É um odor doce e ácido. Esta planta tem frutos!

Sigo o doce cheiro até alcançar algo macio e esférico. Peço à árvore, por gentileza, que me dê este fruto. Sem que faça esforço, ouço o fino galho que a prende ao fruto se romper. Agradeço com todo o coração.

Dou uma mordida. A casca é mole, mas azeda. Jogo fora. Depois várias e várias vezes depois retiro a casca e jogo fora, restando apenas o interior. Separo os gomos e, um a um, vou degustando-os. É uma laranja! E tão docinha!

Ao terminar, sinto-me revigorado para continuar com minha caminhada exploratória. É como fazer uma refeição completa. Como é possível? Apenas um fruto saciar toda minha fome e deixar-me repleto de energia? Será que a proximidade com a natureza nos distância da gula humana? Talvez.

Ouço um barulho na mata. Instintivamente volto meus olhos para onde viera o barulho tentando enxergar algo. Percebo que uma parte da escuridão se mexe. Dois pontos brancos brilham num relance. Meu coração acelera! Pareciam olhos! Existe mais alguém sem luminosidade neste mundo? “Quem é você?”, digo em voz alta sem receber resposta.

Ouço o vulto negro dentro da escuridão se mover. Ele está correndo. Vou atrás dele. “Pare, vamos conversar!”, grito, mas ele não pára.

Estamos há horas correndo. Passamos por alguns riachos. Subimos uma montanha. Vejo-o parado lá no topo. Em poucos segundos o alcanço.

Estamos frente a frente. “Meu nome é Akin…” – disse o vulto e ao  pronunciar seu nome, o brilho branco de seus olhos deu lugar à um corpo incandescente – “…E temos muito o que conversar, Ikatki”.

 

Continua…

the-last-book-on-earth

Leia a Parte I antes de prosseguir.

Sr. Schmitz sabe que as instalações da biblioteca são tão antigas que o sistema contra incêndio não funcionou. E com sua extensa experiência literária e de vida, tem consciência de que ele, sozinho (ou mesmo que tivesse ajuda), não conseguiria conter aquele incêndio. Bombeiros? Até que eles cheguem, toda a biblioteca já estará consumida pelo fogo.

Virou-se e correu. Correu até sua mesa. Pegou o livro que acabara de restaurar. “Preciso salvar o máximo de livros que puder!”. Correu até a ala Oeste e, para seu espanto, também estava em chamas! “POR QUÊ? POR QUÊ?”, gritava ele, dando meia volta correndo para as alas Norte e Sul.

Tudo era fogo. Ele mantinha-se agora, escorado em sua mesa, a mesa central da biblioteca, respirando com dificuldade e bastante aflito. “OS LIVROS! TODOS ELES!”, “NÃO!”, “VOU SALVAR ESTE LIVRO!” e olhando para aquele único livro em suas mãos, seguiu para detrás da mesa, abriu a segunda gaveta e retirou uma caixa de metal, retirou a placa que havia dentro, atirando-a ao chão. Colocou o livro dentro da caixa e fechou-a.

Abaixou-se tateando o piso de madeira, procurando uma saliência, uma madeira solta. Achou. Puxou o pedaço de madeira e um buraco revelou-se. Retirou o que nele continha: alguns pacotinhos de doces. Era diabético. Adorava comer doces escondido. Neste momento, os doces não significavam mais nada. Tudo o que pensava era em salvar aquele livro. Repousou a caixa com todo o cuidado dentro do buraco. Por alguns segundos deteve-se olhando aquela caixa metálica que continha uma obra grandiosa. Enquanto isso, atrás dele, as labaredas consumiam a enorme Biblioteca Albert Einstein. Estantes e livros despencavam das alturas, desmantelando-se em pedaços pretos de coisas queimadas.

Sr. Schmitz voltou a tapar buraco. Sentou-se em sua cadeira e aguardou o momento em que as chamas consumiriam seu corpo. Sentia-se impotente diante de tamanha magnitude. O fogo era algo belíssimo e aterrorizador. Quando este fogo finalmente se apagasse, ele não existiria mais, não existiriam mais bibliotecas no mundo, nem livros.

Exceto aquele que acabara de salvar.

FIM

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