Fiquei empolgado porque o Antonio Hermida gostou do meu expressionamento inacabado “Slider” que resolvi, nesta segunda (21 de julho de 2008), escrever mais um pouco dessa história. E aí embaixo segue a continuação:
PS.: Valeu pela força Hermida!
ESPERE! Antes de iniciar a leitura, leia a primeira parte de Slider aqui!
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Aos dezoito, passou no vestibular utilizando sua habilidade de uma forma aprimorada. Logo a prova começou, cruzou os braços, abaixou a cabeça entre eles e deslizou apenas seus olhos para a outra dimensão. Se alguém pudesse ver seu rosto neste momento, ficaria chocado, assustado, e talvez até apavorado, pois no lugar onde estariam seus olhos veria apenas os orifícios oculares negros de seu crânio à mostra. Deslizando apenas seus olhos, conseguia visualizar qualquer lugar e qualquer coisa e assim, trapaceando, ingressava na faculdade de Geografia. Queria entender e conhecer todas as mais interessantes e bonitas localidades da terra para que pudesse viajar pelo mundo deslizando entre as dimensões.
Conheceu o amor de sua vida quando tinha vinte e dois anos. Renata era seu nome, desejo era seu sobrenome e enlouquecedora era sua presença. No calor da paixão, os dois corpos unidos, suor, gemidos, e então, deslizaram. Somente após o frenesi passar foi que Renata percebera algo estranho no ambiente. Não havia outro jeito senão contar a ela sobre sua habilidade. Ela o amava e aceitou tranquilamente, afinal, tinha um “quê” de proibido aquela habilidade, afinal, poderiam fazer amor em qualquer lugar que desejassem, no meio da rua, num banco de praça, num parque, na grama, na praia, no carro, no elevador e quantos mais lugares sentissem vontade, porque ninguém os veria e mesmo assim, sentiriam tesão por estarem fazendo amor em “público”.
Aos vinte e cinco, casou-se com Renata. Lua-de-mel no Taiti, numa noite “caliente” sob coqueiros na praia. Nessa época, Caio já descobrira que naquela dimensão feita puramente de energia ou “Enersion”, como decidiu chamá-la, conseguia “surfar” numa espécie de “onda energética” existente em toda a dimensão. Eram como “chacras” ou pontos energéticos sempre em movimento espiralado. Deixando levar-se por essas ondas, podiam, ele e sua namorada (agora esposa), irem a qualquer lugar do mundo de uma maneira tão veloz que ás vezes era difícil enxergar o ponto final. Foram ao Taiti na parte da manhã, passearam, namoraram, fizeram amor à luz do luar, banharam-se nus no mar e na manhã do dia seguinte estavam em casa novamente sem gastar mais do que cem reais, gastos em comidas, bebidas e alguns souvenires.
Caio nunca pensara em ser um super-herói, mesmo após ter descoberto tantas novidades a respeito de sua habilidade. No mundo real não existem grandes vilões poderosos como nas revistas em quadrinhos, das quais Caio não nunca foi fã. Caso se tornasse um herói, iria lutar contra quem? O aquecimento global? A fome? A corrupção? Não, ele não se prestaria a combater nada disso, muito menos como super-herói. Sabia que, probabilisticamente, as chances de conseguir convencer as pessoas do mundo inteiro a mudar suas opiniões e salvar o mundo seria praticamente impossível, então, decidiu gastar suas energias para usufruir da melhor maneira possível a sua vida.
Outra preocupação que não lhe ocorreu foi a existência ou não de alguma forma de vida nesta dimensão de energia pura, Enersion. E isto lhe causou a maior dor que poderia imaginar. Aconteceu aos seus trinta e sete anos. Numa discussão com Renata, enquanto “surfavam” para chegar à Grande Muralha da China, suas mãos se soltaram de Renata para gesticular enfaticamente e neste momento os dois se separaram para sempre. Caio gritava a plenos pulmões enquanto via Renata se afastar com feições de terror. Renata não sabia onde estava indo e também não sabia como parar.
Caio iniciou uma busca alucinada por todos os cantos do mundo, sem sucesso. Renata simplesmente havia desaparecido. Tinha esperanças de encontrá-la “surfando” sem parar nas Enerons (“ondas energéticas”) ou mesmo parada em algum lugar desconhecido, sem saber como voltar para casa, para junto dele.
…
Doze anos se passaram. Suas esperanças se esvaíam. Suas forças se esgotavam. Começava a acreditar que nunca a encontraria. O desespero começou a tomar conta de todo seu ser. Despencou sobre seus joelhos num lugar qualquer da Sibéria, na Rússia, e chorou. Chorou lágrimas guardadas durante dez longos anos. Seu corpo tremia de tanta angústia sendo liberada de uma só vez.
Nesse instante, com quarenta e nove anos, às vésperas de completar cinqüenta anos, uma década, fechado numa tristeza tão profunda, não percebeu que a Enersion à sua volta se modificava, tornando-se de um negro tão sombrio, mas tão sombrio, que retirou Caio de sua profunda tristeza com um calafrio aterrorizante que percorreu toda sua espinha dorsal. Aquilo o fez sentir um medo que jamais sequer havia imaginado. O que havia acontecido era o que se perguntava. Onde estava era o que queria saber. Antes que pudesse pensar no que fazer, imensas criaturas horrendas surgiram daquela escuridão profunda. Foi então que tudo isto atingiu seu coração. E se Renata tivesse permanecido todo esse tempo nesse estranho lugar? E se tivesse sido capturada por estas estranhas criaturas? E se estivesse morta?
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Slider (parte 3) já está disponível!
Um Abraço!

Wow! Escreve mais.
[...] Leia a continuação de Slider aqui! [...]
Xá cumigo, Felipe!
Estou escrevendo mais!
Logo eu coloco mais uma parte da história aqui no expressionando!
Obrigado pela visita e por gostar da história!
[...] Slider (parte 2) [...]