Felipe, você pediu e aqui está a continuação da história Slider!
E para quem ainda não leu, abaixo estão os links para as partes anteriores:
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Enquanto as criaturas aproximavam-se, Caio sentia um odor podre de esgoto, fezes, urina, vômito e sangue, num misto entorpecedor que o estava deixando tonto, cambaleante. Percebera que aquelas criaturas com mais de três metros de altura, eram compostas justamente da podridão da qual sentia o odor.
Sua visão começara a embaçar, não sentia mais seus braços e pernas.
De súbito, uma luz enorme rasga a escuridão, cegando Caio por alguns segundos. Ele força a visão, em vão, pois nada consegue enxergar além de borrões e uma espiral de luminosidade se movimentando rapidamente de um lado a outro. Alguns segundos depois a luz vem em sua direção. Todo seu corpo está agora entorpecido pelo odor das criaturas e sua visão se apaga. Escuridão. Silêncio. Caio desaba inconsciente.
…
15 anos antes…
Ivo podia materializar qualquer coisa.
Aos dez anos, “devorava” quadrinhos, mangás, livros de ficção e fantasia. Desde dos sete anos, conseguia mergulhar de cabeça nas histórias contadas por seu pai antes de dormir. Sempre sentia-se o herói da história. Quando assistia a filmes, entrava tanto no clima do filme que sofria junto com o personagem, chorava ou ria junto.
Assim, a capacidade imaginativa de Ivo crescia cada vez que lia um livro ou uma revista em quadrinhos, até que, aos doze anos, queira tanto uma bicicleta que ela surgiu à sua frente. Aquilo o deixou tão feliz e surpreso que pedalou em sua nova bicicleta o dia todo. Escondeu a bicicleta atrás de algumas sucatas que seu pai guardava no fundo do quintal, afinal, como iria explicar que a bicicleta havia, simplesmente, aparecido em sua frente. À noite, deitado em sua cama, pensando, chegou à conclusão de que talvez tenha sido ele mesmo quem fez surgir aquela bicicleta, pois a queria com tamanha intensidade que ela extrapolou os limites de sua mente e se tornou real.
Nesta noite, Ivo dormia um sono tranqüilo, maravilhado com seu super-poder, quando se viu num lugar escuro e sombrio, mas não era uma escuridão qualquer, era uma escuridão tão densa, que não enxergava a um palmo à frente de seu nariz. Estava ficando assustado quando lembrou do seu super-poder e começou a desejar com bastante intensidade uma lanterna. Alguns segundos pensando na lanterna, uma grande, prateada, daquelas que vão umas cinco pilhas grandes, e ela apareceu em sua mão. Ligou a lanterna. Seu faixo de luz alcançava apenas alguns metros à frente, mas era melhor que nada. Não havia nada à frente, não até onde podia ver. Virou-se para a esquerda, direcionando o faixo da lanterna para o mesmo lado. Nada. À direita, nada. Só faltava olhar para trás. Decidiu que, se não houvesse nada, começaria a andar até encontrar alguma coisa ou uma saída daquele lugar.
Seu corpo virou para trás. A mão que segurava a lanterna chegou alguns segundos depois e com a iluminação do local, agora à sua frente, chegou uma estranha sensação de medo e tontura. Um medo que gelou-lhe a espinha. Só agora sentia um odor insuportável de fezes, vômito e muitas outras coisas que seu nariz nunca sentira antes e, portanto, seu cérebro não tinha sinapses para lhe informar do que era aquele odor. Imaginou uma máscara de oxigênio em seu rosto. Alguns segundos e lá estava ela. Ivo mascarado. Máscara de oxigênio. Talvez fosse uma máscara legal de se utilizar como forma de esconder sua verdadeira identidade, agora que seria um super-herói, pensou. O odor podre já não o incomodava mais. Outra coisa o incomodava agora.
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