
Expandindo a ideia do microconto “Casamento de Jornalistas“…
“… até que a mídia os separe. Pode beijar a noiva.” Finalizou o padre na cerimônia de casamento. O mundo mudou. Na esperança de alcançar índices estratosféricos de audiência, a mídia criou uma espécie de BBM (Big Brother Mundial), tornando as ações de cada indivíduo transparentes ao mundo. Mas nada de câmeras filmadoras fixas em ambientes. Não. A coisa tinha que ser feita de forma a tornar tudo emocionante. O que foi adotado como forma de “cuidar da vida alheia” no mundo afora, foi nada mais, nada menos, que Paparazzi. Metade do mundo agora está empregado (de carteira assinada), com a única e exclusiva missão de expôr as intimidades das pessoas comuns sem serem “chamadas” ou autorizadas.
Todos são celebridades. Caso você queira saber como seu (ou sua) amigo(a) está é simples: ligue a TV, faça uma busca pelo sobrenome, ou pelo nome completo da pessoa e saberá de todas as fofocas e “babados’ que acometeram-na(o) ficando por dentro do que acontece e tendo assunto para conversar com ele(a).
Saiba tudo o que acontece com qualquer pessoa do mundo. Bastando apenas saber seu nome completo ou apenas o sobrenome. Por este último você tem acesso a toda a árvore genealógica (ainda viva) da pessoa.
No início, o resultado desse BBM foi o fim de milhares de casamentos por descobrirem-se traições; várias amizades perdidas por descobrirem-se mentiras ou hábitos bizarros; inúmeros crimes desvendados e criminosos presos. Ninguém mais conseguiu fazer nada escondido do mundo. Ou você andava na linha ou o BBM te pegava!
A mídia ficara zilionária tendo poder para controlar o mundo por inteiro. Controlava tendências de forma explícita, bem como vendas de determinados produtos em detrimento de outros.
O mundo aos poucos foi se tornando mais tranquilo de se viver. Bizarrizes eram logo descobertas e denunciadas à polícia, quando essa mesma não as encontrava.
As pessoas ficavam mais e mais preocupadas com o que fariam, qual seriam seus comportamentos que passaram a ficar robotizados, fazendo do mundo um lugar monótono e chato, repleto de pessoas mau-humoradas.
Logo não havia mais o que noticiar a não ser coisas comuns que todos faziam e já sabiam que todos os outros também faziam. Não havia mais porque existir o Big Brother Mundial e assim, milhares e milhares de jornalistas foram demitidos.
Desempregados, tornaram-se a classe pobre da população. O mundo voltou a respirar mais aliviado e após alguns meses as pessoas reavivavam dentro de si seus desejos e fantasias, suas paranóias e maluquices.
Então, o mundo voltou ao normal.
Em breve a mídia criará outro tipo de entretenimento idiota, no qual todos ficarão viciados e logo ela dominará o mundo novamente.
É um movimento cíclico, basta esperar e logo você estará diante do novo “reality besteirol” e estaremos escravos da mídia.
FIM