
Um conto em duas partes que não está nos Jogos Textuais (J.T.).
Sr. Schmitz permanecia sentado, costumeiramente, em sua cadeira, atrás da mesa central da biblioteca. Há 50 anos, ele é o bibliotecário-chefe da Biblioteca Albert Einstein, mas também é o faxineiro, o porteiro, o ajudante, o restaurador de livros antigos e o especialista em literatura de qualquer gênero. Também pudera, é o único ser humano ainda disposto a conservar esta forma tão arcaica de arquivar o conhecimento humano.
Todas as outras bibliotecas e livrarias do mundo foram fechadas. Seus livros foram digitalizados e incinerados, o conhecimento produzido pela humanidade estava agora disponível exclusivamente no Servidor Mundial e na Biblioteca Albert Einstein.
Já passa da meia-noite. A única luz acesa na Biblioteca é da velha luminária da mesa central onde Sr. Schmitz restaura uma obra literária clássica que influenciou milhares de escritores, cineastas e desenhistas, além de mexer com o imaginário de pessoas comuns, jovens e adultos.
Concentrado em devolver a capa original de volta ao livro, ele ouve barulho de vidro se quebrando. O som veio da ala leste. Ergue os olhos e ajeita seus óculos. Levanta-se da cadeira, ajeitando as calças e dirigi-se à ala leste. Sente cheiro de fumaça pelo caminho. Um temor envolve seu coração. Sua mente lhe pede que seja mentira. Ele aperta o passo.
Ao chegar à entrada à ala Leste, o coração de Sr. Schmitz quase não suporta presenciar a cena à sua frente. Toda a ala Leste estava em chamas! Livros centenários estavam, neste exato momento, sendo consumidos pelo fogo. As labaredas iluminavam a imensa biblioteca, lançando sombras bruxuleantes sobre as paredes, consumindo as encadernações literárias.