
Há tempos quero escrever uma história com este gato da imagem, mas só agora a história surgiu. Está aí. Confiram e opinem!
Havia algum tempo que estava ali, parado. A sensação de aperto em seu peito crescia cada vez mais. Sentia-se completamente perdido. E, de fato, estava.
O frio abaixo de zero não lhe afetava a pele, aquecida por seus negros pêlos, mas começava a congelar seu pequeno coração.
Na imensidão das planícies nevadas, era apenas um ponto preto minúsculo na vastidão esbranquiçada.
Seus olhos amarelo-alaranjados brilhavam com a última chama de esperança que seu coração ainda teimava em guardar. Esperança esta de que alguém, não um alguém qualquer, mas ‘aquele’ alguém que o conhecia e pelo qual afeiçoara-se, apareceria a qualquer momento e o pegaria em seus braços aquecidos e o levaria para longe daquele deserto branco e congelante.
Até onde a vista alcançava não enxergava um único ser vivo além de si mesmo.
Lamentava-se, agora, ter pulado do trenó. Pensava que pudesse alcançá-lo facilmente, porém os desprezíveis cães eram mais ligeiros do que aparentavam. Talvez até tenham acelerado a corrida para deizá-lo para trás.
O fato é que, neste exato momento, encontrava-se sentado na neve branca, tão linda e tão terrivel. Não movia nenhum músculo e quase não piscava, com medo que pudesse perder uma oportunidade de salvar-se… ou ser salvo.
O que ele não conseguia perceber é que, mesmo que quisesse se mover, não conseguiria, pois suas patas já haviam congelado. Seu pequeno e frágil corpo já mantinha o calor apenas em orgãos vitais com o mínimo para sua sobrevivência pelo máximo de tempo possivel.
Enquanto sua mente vagava em conjecturas, seu corpo sucumbia ao poder gélido da imensidão nevada. Uma nevasca iniciava. Nunca seria encontrado.
Horas mais tarde…

Um grito é ouvido da solidão da neve:
“ULISSES! VEM CÀ GAROTO!”
Um jovem caminhava pela neve, enfrentando a nevasca que se iniciava, para encontrar seu companheiro peludo que cairá do trenó.
“Vou encontrá-lo!” afirmava mentlamente o garoto, para não amolecer perante a força da natureza fria e inóspita.
Olhava para todos os lados, como que escaneando cada centímetro da planície para encontrar qualquer pista que pudesse levá-lo a encontrar seu amigo.
Pensava em desistir, quando avistou dois pontos amarelos brilhantes mais ao norte. Seu coração encheu-se de esperança.
Correu. Tropeçou. Engoliu um pouco de neve. Levantou-se. E correu novamente. Até alcançar os dois pontos amarelos.
“Por favor, esteja vivo!” – gritava a plenos pulmões enquanto ajoelhava-se na neve e cavava.
Cavava e cavava, jogando neve para todos os lados. Aos poucos o pequeno corpo negro de Ulisses aparecia. Puxou-o para fora da neve e abraçou-o. Ulisses não se movia.
O frio intenso somado à solidão emocional em que Ulisses, o gato, encontrava-se foram suficiente para congelá-lo por completo, deixando-o como uma estátua negra no vasto branco da paisagem.
Vendo o amigo naquele estado, lágrimas brotaram de seus inocentes olhos.
“NÃO!” – berrou na imensidão, enquanto as lágrimas jorravam, transformando-se em pequeninas pedras de gelo ao entrarem em contato com o ar gélido.
E lá o garoto ficou, ajoelhado na neve, a lamentar a perde do único e melhor amigo que jamais tivera.
FIM
tadim do ulisses…
tadim do ulisses… [2]