Google…

Publicado: 14 novembro 2013 em Expressionamentos

“Google é meu professor e nenhum conhecimento me faltará.” – Smaily Prado

 

D.I.P – Departamento de Investigações Parapsíquicas

Intrafísico – Brasília – Palácio da Alvorada – 22h45

– Quem te informou do incidente?

– O ex-marido, Sr. Parlos Caixão. Aparentemente ele estava ao telefone com ela quando o ataque teve início.

– Estranho…

– O que é estranho Sargento Carvalho?

– Há poucos dias ela realizou uma bateria de testes médicos e fora elogiada justamente por ter um coração forte como um touro.

– O senhor suspeita de assassinato?

– É uma possibilidade. Chame um papiloscopista, veja o que ele consegue encontrar neste cômodo, Cabo Almeida.

– Sim, Senhor!

Intrafísico – Brasília – Palácio da Alvorada – 00h32

– Sargento Carvalho, solicito permissão para falar.

– Permissão concedida, Cabo Almeida.

– Nenhuma evidência que possa indicar que a Presidente tenha sido assassinada foi encontrada. Nenhuma digital ou sequer um fio de cabelo que seja, Senhor. Nada que possa ser utilizado para identificar um possível suspeito.

– Entendo. Terei então que chamá-los…

– Se me permite perguntar, Senhor, chamar a quem?

– O D.I.P. – disse uma voz atrás do Cabo Almeida que levou um susto com a repentina aparição daquela voz, porém conseguiu disfarçar bem a tremedeira que lhe sucedeu – Departamento de Investigações Parapsíquicas, uma subdivisão do Conselho de Defesa Nacional em conjunto com as Forças Armadas, criada e mantida em segredo desde o mandato do Presidente JK.

Sargento Carvalho fez menção de expressar alguma palavra, mas foi silenciado com a frase seguinte do estranho que aparecera.

– Já sabemos do ocorrido. Sou o Capitão Silva, líder do E.I.P, Esquadrão de Investigação Parapsíquica, equipe de campo do D.I.P., assumindo o caso Sargento. – disse, batendo uma continência descontraída para o Sargento, já que normalmente oficiais de altas patentes não devem bater continência para patentes inferiores, e continuou – Sua intuição está correta, Sargento. A Presidente Vilma Dousseff foi assassinada, porém o culpado está em algum lugar além dessa dimensão física.

– Como sabe disso?

– O Tenente Alvarez teve um vislumbre do momento do assassinato através da habilidade que possui.

Em extremo silencio e sem acreditar numa palavra do que o Capitão Silva dizia, Cabo Almeida continuava parado no mesmo lugar.

– Não posso acreditar nisso. Porém, sinto que está correto, Capitão.

– Não se preocupe, Sargento, assumiremos a investigação daqui pra frente. Aliás, neste exato momento minha equipe já encontra-se realizando um reconhecimento parapsíquico do local do crime em busca de vestígios energéticos do assassino.

– Obrigado, Capitão Silva.

– Com sua licença, Sargento – e Capitão Silva disparou corredor afora, voltando para o aposento no qual o corpo da Presidente ainda permanecia inerte.

Quando os passos no corredor já haviam cessado, Cabo Almeida soltou o ar dos pulmões e relaxando a tensão que lhe acometera durante a presença do Capitão e resolveu falar novamente.

– Sargento se me permite…

– Diga logo Almeida!

– Acho um absurdo! Como que algo não físico possa existir e ainda por cima assassinar a Presidente com um ataque cardíaco!

– Também me parece besteira, Cabo Almeida, mas não tenho poderes para retirá-los do caso. Isto está fora da minha alçada.

Ainda indignado, Cabo Almeida resolveu que o silencio seria melhor do que estender a conversa.

Intrafísico – Brasília – Palácio da Alvorada – 00h33

– Aspirante Oliveira, como está a blindagem energética do perímetro?

O rapaz de olhos fechados parado em pé a um canto do cômodo respondeu:

– Em fase de finalização, Capitão.

– Termine o mais rápido possível Aspirante, não queremos que possíveis provas escapem do perímetro extrafísico, já estamos em desvantagem pela sua demora na nossa vinda.

Aspirante Oliveira se enrubesceu levemente, ainda mantendo os olhos fechados, lembrando que teve uma dor de barriga no exato momento em que deveriam estar na viatura a caminho do Palácio da Alvorada. Todos tiveram que esperá-lo.

– Tenente Carioca, qual o status da varredura psicométrica?

Única mulher da equipe, Tenente Carioca estava agachada ao lado do corpo inerte da Presidente com a mão direita estendida como se quisesse tocá-la, porém mantivesse receio de fazê-lo. Sem se mover ela respondeu ao Capitão.

– Até o momento, somente identificada assinatura pensênica da Presidente, partindo para identificação de assinaturas entrópicas.

– Entendido, me informe assim que obtiver algo.

– Sim, Senhor.

– Tenente Alvarez, há alguma consciex pelo recinto que possa oferecer informações relevantes?

– Nenhuma, Capitão. Todos paracomatosos ou assediadores comuns.

– Entendido. Procure então localizar a Presidente Consciex, isso irá facilitar a investigação.

– Sim, Senhor.

– Novato! Levante a bunda dessa cadeira e vá buscar café para a equipe!

Um rapaz novo que estava sentado numa poltrona olhando para o nada, saltou como um gato escaldado para fora da poltrona e partiu desembestado para fora do cômodo.

– Não se fazem recrutas como antigamente… – divagou Capitão Silva.

 

Intrafísico – Brasília – Palácio da Alvorada – 01h06

– Senhor, blindagem concluída.

– Ótimo, Aspirante. Fique atento para possíveis atentados contra o campo.

– Sim, senhor.

– Capitão – começou o Novato, esbaforido, entrando no recinto – aqui está o café que o Senhor solicitou.

O Capitão pegou um dos copos plásticos contendo café, sorveu um gole para logo em seguida cuspir o café na cara do Novato.

– Está horrivelmente gelado! Não foi essa droga que lhe pedi, Novato!

– Mas Senhor…

– Sem “mas” Recruta! Quando tiver que realizar uma tarefa, realize-a da melhor maneira possível! Agora jogue fora todo esse café e entre em contato com o ex-marido da Presidente, pergunte o que ele sabe! Segundo o Sargento encarregado da Segurança Presidencial, ele foi o último a falar com a Presidente… O que está fazendo aí parado? Mexa-se!

Novamente o Novato saiu apressado pela porta afora. No mesmo momento em que a Tenente Carioca soltou um curto e agudo grito, seguindo-se com sua queda de costas no chão, como se alguém a empurrasse.

O Capitão se adiantou para verificar o status da Tenente. Tinha uma preocupação especial com ela, já que tiveram um relacionamento, um tanto quanto conturbado, no passado não muito distante.

– Qual a situação, Melissa? – disse o Capitão, despojando-se das formalidades – Você está bem?

E sem perder a postura, lançando um olhar reprovador ao Capitão ela respondeu.

– Sim, Senhor Capitão, apenas identificado o padrão pensênico do assassino, ou melhor, dos assassinos.

– Havia mais de um? – questionou Capitão Silva ainda com certo desconforto.

– Sim. Dois espectros trevosos, um deles com certeza é chefe de Legião, o outro pode ser apenas um serviçal.

– Bom trabalho, Tenente Carioca, agora procure identificar as direções que tomaram.

– Sim, Senhor.

Extrafísico – Arredores do Palácio do Planalto – 01h06 (hora física)

Duas estranhas criaturas encapuzadas, carregando o espírito de uma mulher, se comunicam de uma maneira primitiva através de gritos, urros, guinchos e gemidos, parcamente traduzidos abaixo:

– O que é aquilo?

O outro olhou para trás.

– OW, MERDA! Aquilo é a PORCARIA de um campo de força, uma barreira quase impenetrável! Agora como faremos para devolvê-la ao corpo seu IMBECIL! O Supremo Lorde das Trevas vai nos torturar para toda a eternidade! Eu disse para esperarmos ela desligar o telefone, sua ANTA! Estamos FERRADOS! Fomos descobertos! Isto era pra ser uma operação SECRETA!

– É só não falarmos nada, na volta damos um jeito…

– Damos um jeito! DAMOS UM JEITO!? Agora vamos ter aquela horrenda organização em nosso encalço! – grunhindo e exalando ódio, o espectro encapuzado teve que ceder, já que não via alternativa – Se isto chegar aos ouvidos do Lorde Supremo você estará seriamente encrencado! (- E eu também, pensou consigo)

Enquanto discutiam, se distanciavam mais e mais da cidade física de Brasília e começavam a penetrar nas freqüências de dimensões mais densas, dirigindo-se para o interior do planeta, onde ficavam as bases dos cientistas das trevas.

Extrafísico – Algum lugar nas profundezas do planeta – 01h09 (hora física)

– Finalmente! Tragam-na aqui! Podem colocá-la naquela maca ali à direita. Agora caiam fora da sala, este é um procedimento bastante delicado e trabalhoso, não preciso de imbecis atrapalhando meu serviço!

O cientista das trevas se dirigia aos espectros se regozijando com o trabalho que teria pela frente. Faria um procedimento poucas vezes realizado pelo mundo todo nos confins sórdidos dos laboratórios extrafísicos do reino das sombras.

– Quando eu terminar, teremos mais uma aliada! – e soltou uma risada maligna, enquanto os dois espectros se retiravam.

– O que acha que ele fará?

– Acredite, é melhor não saber. Siga as ordens e continue livre para circular pelo mundo.

– É tão ruim assim?

O Espectro claramente mais experiente, nem se deu ao trabalho de responder, estava preocupado com o que faria quando o Lorde Supremo das Trevas descobrisse que eles foram descuidados e deixaram que fossem descobertos. Já preparava um plano alternativo para escapar da fúria da máxima autoridade das trevas.

Resquícios Religiosos

Publicado: 27 abril 2011 em Contos

Sentado em seu escritório, expandiu suas energias, formando um par de asas enormes nas costas e com o bater delas impulsionou-se para fora de seu corpo físico. Do lado de lá, o Amparador o aguardava.

– Por que você ainda faz isso?

– Pra ser mais emocionante!

O Amparador limitou-se a balançar a cabeça negativamente enquanto dispersava a forma-pensamento-par-de-asas.

– Vamos, hoje temos muito trabalho pela frente.

E partiram extrafísico afora.