23 de janeiro de 2004…

Publicado: 11 junho 2008 em Contos Inacabados
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Calma, você não está lendo um post antigo, este é mais um EXPRESSIONAMENTO INACABADO que ficou sem título e acabei chamando-o apenas de “23 de janeiro de 2004” que foi a data na qual o expressionei.

Quando terminar de ler, não esqueça de deixar o seu EXPRESSIONAMENTO!

Segue abaixo:

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23 DE JANEIRO DE 2004

            23 de janeiro, sexta-feira, 10:57 da manhã.

Estou numa parte do bairro onde moro, que não é muito amigável. Você pode constatar isso pelo indivíduo desconhecido, parado a minha frente, bastante nervoso e apontando uma arma em direção à minha cabeça. Ele está preste a atirar. Ele só queria a bicicleta, mas acho que pensa que estou armando algo para enganá-lo, porque entreguei muito rapidamente a bicicleta a ele.

 Eu sabia que não era um dia como outro qualquer. Sabe quando você tem a sensação de que algo ruim está para acontecer? Pois foi isso que eu senti ao acordar nessa manhã aparentemente monótona. Mas não tomei precaução nenhuma, não dei atenção a esse sentimento de angústia que senti. Sai ás sete e quarenta e cinco para o trabalho. Não pude ir de carro, tive que deixá-lo na oficina no dia anterior.

Havia três opções então: a primeira era de pegar carona. O problema é que nenhum colega de serviço morava perto e meu vizinho já havia saído; a segunda era ir de ônibus, mas era uma opção previamente descartada, pois odeio andar no coletivo; então decidi pela terceira… bicicleta.

Nesses dias em que a rotina é quebrada, tenho a impressão de que tudo pode acontecer.

Foi então que, virando na rua errada, me deparei com esse sujeito. É onde me encontro agora. Estou parado em pé, de frente para ele. Não consigo dizer nada, apenas movimento o globo ocular, ora para o rosto aflito, suado e nervoso do meu algoz, ora para o buraco da pistola mirada para minha testa, por onde uma bala pode sair a qualquer minut…

– POOOOOOWWW… (isto foi o barulho do disparo)

– NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO… – Eu gritei, mas o som não saiu da minha boca.

Nesse breve instante, o mundo pareceu girar em câmera lenta: o meu corpo caindo lentamente de costas em direção ao chão; o rapaz guardando a pistola no bolso do casaco e montando na bicicleta; uma borboleta que estava de passagem; o farfalhar das árvores ao redor… Escuro. Frio.

 

Engraçado… Não senti o corpo tocar o chão violentamente. Quando abri os olhos, o dia já havia ido embora para dar lugar a mais uma noite enluarada. Não sentia dor, pelo contrário, tive a sensação de não mais carregar um fardo extremamente pesado. Levei a mão à testa e toquei-a, procurando o ferimento. Não encontrei nada.

– Será que foi um sonho? Não, acho que não. Mas então por que diabos não há ferimento algum em minha cabeça? Que merda está acontecendo comigo?… Droga! Já são duas da madruga! Passei o dia inteiro desmaiado aqui! Preciso ir para casa, minha esposa deve estar preocupada comigo.

 

Paulo se apressou o máximo que pode para chegar em casa, mas tinha alguma coisa estranha “no ar”. Por que ele não estava conseguindo chegar em casa facilmente? É fato que o bairro aparentemente era o mesmo, mas então por que a dificuldade?

– Que vergonha, não consigo achar o caminho para minha própria casa! A Taís não vai acreditar nisso… Acho que vi um barzinho aberto a algumas quadras atrás… Melhor voltar e perguntar… Que vergonha…

 

23 de janeiro, sexta-feira, 19:45, casa do Paulo.

– Que coisa! O Paulo já devia ter chegado! Ele nunca demora tanto assim para chegar, no máximo leva meia hora do serviço até aqui… Ai ai, ele sempre diz que não demora porque sente muito a minha falta! Ele é muito carinhoso…

– RRRRRIIING – O telefone toca, tirando Taís de suas lembranças apaixonadas.

– Alô?… Sim, sou eu… Sim, Paulo é meu marido… O QUÊ?

As palavras proferidas do outro lado da linha telefônica fizeram-na paralisar, com uma expressão de medo, misturada com tristeza e um impulso em gritar que aquilo fosse mentira…

 

24 de janeiro, sábado, 03:05 da madrugada.

– As pessoas nesse bar estão meio estranhas… Parecem zumbis… Apenas bebendo e bebendo e, tirando dois que estão conversando sozinhos num canto e outro que não para de me encarar, todos os outros parecem não enxergar nada além da garrafa ou copo que estão ingerindo seu álcool… Nem perceberam minha entrada no bar…

Decidi pedir informações ao homem que estava me encarando, já que parecia ser o único disposto a deixar a bebida de lado e conversar comigo.

– Olá. Você poderia me dar uma informação?

– Pois não?

– Como eu faço pra chegar na rua Berlim?

– Rua Berlim… Hum… Cara, deixa eu te falar uma coisa… Faz uma semana que eu estou aqui…

– Ah, você é de outra cidade? Por isso não sabe me informar onde é?

– Não. Faz uma semana que estou aqui nesse bar!

– Nossa, você deve estar com problemas sérios em casa!

– Não é isso, cara! Há uma semana, tudo ficou estranho para mim também, assim como você agora, eu não consegui achar o caminho de volta à minha casa!

– Como assim?

– Tá vendo esses caras aí, bebendo sem parar?

– Estou. O que é que tem?

– Bem, alguns deles estão com o mesmo problema que nós.

– E os outros?

– Os outros parecem estar vivendo normalmente. E quando vamos conversar com eles, perguntar como estão achando o caminho de casa, parecem não nos ouvir, nem mesmo nos ver!

– Você está tirando uma com a minha cara, só pode ser! Uma semana bebendo aqui esse bar, você deve estar meio louco já.

– HEI! – Ele segurou firmemente meu braço quando ia me retirando da presença dele – Não estou louco! Se você gosta de bater a cabeça, vá em frente e constate o que eu estou lhe dizendo! E te digo desde já: não vai conseguir descobrir nada além do que eu consegui.

– Está certo, mas preciso confirmar isso por mim mesmo. Até mais.

– Podre homem… – disse baixinho o cara do bar.

– Se isso é um sonho, gostaria de acordar agora. – Pensou Paulo se afastando do homem da história maluca e se dirigindo para a rua novamente.

– Será que ele estava dizendo a verdade? Não, ele está a uma semana bebendo, deve estar imaginando coisas. Preciso tentar chegar em casa outra vez. Acho que vou para a direita, me parece ser a direção certa.

E pôs-se a andar naquela rua deserta. Nenhuma das casas estava com alguma luz acesa. A iluminação pública era precária, um poste com lâmpada, outros dois sem. Todas aquelas casas eram tão não-familiar a Paulo. Não sabia se estava perto ou longe de algum lugar conhecido. Por que isso estava acontecendo? Não, não podia ficar pensando nisso, ou logo estaria psicologicamente alterado igual aquele homem no bar. Tinha que tentar todos os caminhos possíveis.

 

Duas horas se passaram desde a sua saída daquele bar e não conseguiu encontrar nenhum local conhecido, mesmo que vagamente. Estava quase achando que nunca voltaria para casa, ou que nunca acordaria desse pesadelo tão incomum. Foi então que, virando uma esquina, avistou uma luz, umas duas quadras a frente. Seu coração encheu-se de esperança e alegria.

– Já são 05:25, será que aquela é a padaria da esquina da rua onde moro? Será? Será que, tão cedo ela já estaria aberta?

E desatou a correr, meio desajeitado, tropeçando, cansado de tanto caminhar a esmo pela madrugada.

– É sim! Só pode ser! 

Entretanto, a cada metro que se aproximava, mais se dava conta de que estava errado e a alegria dentro de seu peito ia se apagando, murchando, até dar de cara com um letreiro apagado e quase caindo de onde estava pendurado, que não era possível ser lido a distância, escrito: Bar do Zé. Estava de volta ao bar de onde saíra.

  

… e isto é um EXPRESSIONAMENTO INACABADO!

______________________

Um Abraço!

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