Não agora…

Publicado: 17 outubro 2008 em Contos, Expressionamentos
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O texto abaixo escrevi hoje, há 10 minutos atrás, como forma de treinar a escrita de sensações. Antes de postar estava olhando outros blogs que falavam de um aparição de Et’s no dia 14 de outubro de 2008. Uns falando que os Ovnis apareceram no Canadá e outros falando que não apreceram coisa nenhuma. Vai saber quem está certo. 😛

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Noite. Tarde da noite. Subia a ladeira a passos rápidos e pesados. Sentia seus calcanhares latejarem, pedindo por descanso, mas não podia fazê-lo. Não agora. Um incômodo na região do abdômen, dor e queimação: fome. Daquela que te deixa incomodado, desatento, desconcentrado, sem conseguir ao menos: pensar. A mão direita sente-se cansada, dolorida, sem forças, carregando a pesada pasta de trabalho.

Passos largos e ágeis, porém fortes e pesados, batendo rígidos os solados de borracha do sapato sobre o concreto. A sensação é de pedra contra pedra. Uma pontada no joelho direito. Uma dor irritante. Seus joelhos já não agüentam mais dobrar e desdobrar, precisam descansar.

Não agora.

Agora tem um objetivo: o carro. Chegar até seu automóvel, seu meio de locomoção. Uma angústia está presente em seu estômago, misturado à fome. Gostaria de já estar em casa, no aconchego do lar, de relaxar o corpo no sofá da sala e apenas observar às imagens emitidas pelo aparelho televisor, sem prestar atenção a qualquer coisa. Apenas sentar e sentir todo seu corpo gritar: “OBRIGADO!”, em uníssono.

Suor escorre pela testa. Noite quente de um dia escaldante. Faltam poucos passos. Chave na porta. Banco do veículo. Suas nádegas se sentem confortáveis. Suas pernas agora parecem aliviadas, assim como seus calcanhares. A dor na região estomacal ainda o perturba. Precisa comer. Como queria estar em casa, e estar saboreando um gostoso jantar!

Não, agora.

Agora tinha que dirigir. Suas pernas se retesaram levemente, para trabalhar nos pedais do veículo. A fome atrapalha a atenção, mas precisa se concentrar no trânsito. Alguns minutos e pronto! Estará em casa! Vários semáforos ultrapassados no vermelho, cuidadosamente. Afinal, num horário tão avançado da noite não é aconselhável parar em nenhum cruzamento, além da vontade de chegar logo em casa.

Faltam poucas quadras. Faltam 2 quadras. Faltam poucos metros. Casa! Desce, abre o portão. Veículo na garagem. Alívio… está em casa! Uma alegria lhe preenche. Beijo na esposa maravilhosa. Carinho nos “filhos” caninos. Depois tirar a roupa, pegar comida requentada no microondas, refrigerante. Boa comida, feita pela esposa querida com muito amor (não, ela não colocou Sazon na comida). Estômago cheio. Gostaria de dormir.

Não agora.

Algo o incomoda no âmbito mental. Um pensamento, uma idéia: precisa escrever as sensações sentidas como uma forma de estudo literário para melhorar a descrição de sensações corporais, emoções e sentimentos. Conhecimento este de extrema importância para um futuro próximo.

Sente a coluna e o pescoço pesados, enquanto registra suas sensações, sentado diante de seu computador. A vista já não é a mesma: ressecada, cansada. O ar noturno continua quente.

Fim do texto. Hora de soltar o corpo sobre a cama e só acordar no dia seguinte ao som do despertador, para enfrentar mais um dia quente como o inferno.

Agora sim!

Boa noite!

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Um Abraço!

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comentários
  1. ferdi disse:

    Lindo o texto…fui lendo e imaginando todo seu sentimento e como vc chega em casa.
    Amo vc!
    Ps: Demorei mas eu li!

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