Ataque de Fúria…

Publicado: 26 fevereiro 2009 em Contos
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Antes de ler este conto, pondere se você é uma pessoa que aguenta emoções fortes, sangue e tals. Se não for, não leia.

Saiam todos do restaurante felizes. Ele, sua linda esposa, seu filho mais velho e o caçula. Já passava das 21 horas. Não havia nada de estranho no ar.  Tudo era alegria. A rua não estava vazia, carros e pessoas transitavam de lá pra cá e cá pra lá. A família contente dirigia-se para o carro. Atravessaram uma pista da avenida, parando no canteiro central a meio caminho de distância do carro, quando foram abordados por um sujeito armado.

“Passa a carteira e a chave do carro, chefia!”

Ele virou-se lentamente para ficar cara a cara com o sujeito.

“Peraí, fica calmo…”

“Fica calmo o que mermão! Passa a carteira e as chaves e rápido, senão eu atiro!”

“Olha, eu acho que se você se acalmar, todos podemos sair bem dessa…”

Um estrondo ensurdecedor foi ouvido. O mundo girava agora em camera lenta. O pai de família que a poucos instantes encontrava-se tão alegre, agora observava sua mão ensanguentada do ferimento em seu estômago. Levantou a cabeça no que parecia ser uma eternidade. Encontrou os olhos do atirador. Olhos de alguém assustado. Pensou em sua família ali a seu lado. Nada de ruim poderia acontecer a eles. Nunca permitiria isso. E pensando assim, cresceu um sentimento incomum numa situação como esta. Não era desespero ou medo o que sentia, mas uma raiva, não. Um ódio. Também não. Era mais como… uma fúria. Uma fúria incontrolável. Um desejo de explodir toda sua violência sobre aquele ser que acabara de ferí-lo mortalmente e que poderia fazer o mesmo com sua família. A família que tanto ama.

O tempo voltou a correr normalmente. ele viu-se partindo pra cima do assaltante. estava feirdo à bala, mas não sentia dor alguma. Apenas fúria, não havia outro objetivo em sua vida agora do que proteger sua família e acabar com aquele monstro à sua frente. O sujeito apavorara-se com a reação do homem e disparara outro tiro, atingindo o ombro do pai da família. Mas ele não parou. Sentiu o impacto da bala atravessando seu ombro, mas nada de parar, nada de dor.

Derrubou o sujeito e socou-lhe a cara. Um golpe atrás do outro. Um, dois, três, quatro… ele não dava sinais de que iria parar. O assaltante já começava a ficar desacordado. Pegara a arma da mão já inertedo assaltante e descarregou as outras quatro balas no sujeito.

Ainda apertou o gatilho algumas ezes, sem perceber que não havia mais munição na arma. Então, voltou a si. Aquela fúria se foi. Ficou em choque, olhando para o rosto do assaltante todo ensanguentado quebrado e esburacado. Aos poucos uma dor enorme tomava-lhe conta, partia do estômago e do ombrop e espalhava-se por todo o corpo. Deixou-se cair ao lado do corpo sem vida do “ex” assaltante.

Procurou com o olhar sua família. Estavam todos em pé. Vivos. Sem nenhum arranhão. Sentiu-se feliz.

“Desculpem-me”

Disse ele, antes de sucumbir à dor, fechar os olhos e nunca mais voltar.

FIM

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comentários
  1. Roberta disse:

    que interessante
    quer dizer, você transformou uma cena simples, mas não incomum atualmente, em algo cheio de significado.
    Eu nuna consegui imaginar o que as pessoas sentem levando um tiro, até porque evito, mas você tirou um valor disso que é muito justo

  2. Smaily Prado disse:

    Várias vezes já havia pensado o que acontece ou passa pela cabeça de uma pessoa que leva um tiro. Será que a dor é tão grande que ela não pensa em nada? ou pensa em tudo ao mesmo tempo?

    Talvez o nosso último impulso seja proteger ou querer proteger aquilo ou aqueles que amamos.

    Esses dias atrás, assisti “O Cheiro do Ralo”, um filme brasileiro (particularmente achei uma porcaria o filme) mas tem uma cena (spoiler) em que o protagonista leva um tiro e o que ele faz nos últimos minutos de vida é se arrastar até o ralo do banheiro e enfiar a cara lá para sentir o cheiro (pois era o que ele gostava e o que ele achava que lhe dava forças, ou algo assim).

    Não é bem proteger, mas ele procurou estar perto daquilo que mais “amava”.

    Doido e estranho.

  3. Marcell disse:

    Muito bom, realmente faz pensar… e se fosse você?
    Provavelmente, faria o mesmo.

  4. Smaily Prado disse:

    Com certeza pensaria em fazer o mesmo também.
    Mas não sabemos se numa horas dessas (que, peloamordedeus, não írá acontecer) não sabemos se teríamos força pra uma reação desse tipo.

  5. Diogo disse:

    Esse cara aí é tr00
    tem q matar esses feladaputa mesmo!!!
    esse tipo de conto sempre me anima, um perigo pro próximo assaltante que se engraçar

    brincadeiras à parte
    texto legal!

    ass: leitor do blog blackbird
    =D

  6. Smaily Prado disse:

    Opa! obrigado pelo comentário e pela visita Diogo!

    E fica esperto logo começaremos a parceria Expressionando-Blackbird!

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