O Homem Vitruviano – Parte 1…

Publicado: 14 março 2009 em Contos
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O Homem Vitruviano é um conto dividido em 4 partes.  Inspirei-me no próprio desenho de Da Vinci para criá-lo. Espero que gostem. 

Gabriel andava tranquilamente pela rua, descendo a quadra. Gostava de caminhar para refrescar a mente. Era como fazer uma limpeza no HD, deixava muito espaço disponível para novas informações. Precisava muito disso neste momento. Mais do que nunca.

Não lembrava-se quem era, onde morava, o que fazia da vida. Andava sem rumo, com uma inquietação em seu íntimo causado por um aparente distúrbio em sua visão. Estava enxergando algumas pessoas pela cidade dentro de cubos translúcidos, enquanto outras, dentro de esferas transparentes. Não tinha a mínima ideia do que aquilo significava. Talvez estivesse com algum problema sério nos olhos, ou talvez, na mente.

Algumas nuvens escuras agrupavam-se acima dos arranha-céus. Logo estaria chovendo. Curioso é que as pessoas envoltas por esferas pareciam de alguma forma diferentes das pessoas dentro de cubos. Elas passavam pela rua, a pé ou motorizadas, mas todas, sem excessão, estavam “contidas” em esferas ou cubos.

Um pingo d’água atingiu-lhe a testa. Olhou para o alto. As nuvens estavam mais próximas e escurecidas. Então, mais um pingo atingiu-lhe a face. E outro e outro. Olhou para frente. Continuava andando sem destino certo. Dobrou a esquina. Um raio cortou o céu, iluminando os gigantes de concreto castigados pelo tempo.

Os pingos de chuva se intensificavam a cada instante. As pessoas continuavam dentro de seus cubos ou esferas correndo para abrigarem-se da tempestade iminente. Ao contrário dos demais, Gabriel continuava caminhando a passos lentos, afinal, um pouco de chuva não faria mal a ninguém. Era revitalizante. 

Agora, trovões ecoavam nas estruturas da cidade. Mais a frente, avistou uma pessoa estranha atravessando a rua. Estranha não por ser esquisita, mas porque era a única, até aquele momento, que estava dentro de um cubo e ao mesmo tempo de uma esfera!

Ela deveria ser uma pessoa especial… ou não. Caminhou em direção daquela única criatura duplamente geométrica que atravessava a rua, agora já alagada pela forte chuva que caía.

Espantado ficou quando, logo em seguida, um veículo em alta velocidade freou na tentativa de parar no semáforo vermelho, em vão. Aquaplanou e atropelou a pessoa, aquela que era a única a habitar ambos: esfera e cubo.

Continua…

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comentários
  1. ferdi disse:

    Poxa…tô gostando..espero o restante da história..

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