JOGOS TEXTUAIS – Luminus Obscuri – Parte VII…

Publicado: 20 abril 2009 em Contos, Jogos Textuais
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Desculpem a demora. Tive um final de semana agitado. Um abraço a todos e obrigado por continuarem aparecendo por aqui! 

OBS.: Leia as partes anteriores deste conto aqui no Expressionando e no Blackbird

 

Ouço um rugido, despertando-me de meus devaneios sobre deuses e lendas. É meu estômago. Estou a horas, talvez dias – não sei bem ao certo – vagando por este novo mundo que se descortina escurecido diante de meus olhos, que esqueci-me de algo básico.

Já nem sei mais como voltar para casa. Também não sinto vontade de regressar. Procuro alguma árvore que possa me oferecer seu fruto escuro para saciar esta fome que me aplaca.

Algo impressionante na escuridão é que outros sentidos, como olfato e tato se aguçam. Minhas mãos alcançam o que parece ser o tronco se uma árvore. Sinto, na ponta de meus dedos, as rachaduras e ranhuras do caule. Detenho-me mais alguns segundos, apenas sentido e percebo que a palma da minha mão pulsa intermitentemente em direção ao alto, tenho a sensação de que isto é a vida que corre dentro dela.

Suavemente um odor chega até minhas narinas. É um odor doce e ácido. Esta planta tem frutos!

Sigo o doce cheiro até alcançar algo macio e esférico. Peço à árvore, por gentileza, que me dê este fruto. Sem que faça esforço, ouço o fino galho que a prende ao fruto se romper. Agradeço com todo o coração.

Dou uma mordida. A casca é mole, mas azeda. Jogo fora. Depois várias e várias vezes depois retiro a casca e jogo fora, restando apenas o interior. Separo os gomos e, um a um, vou degustando-os. É uma laranja! E tão docinha!

Ao terminar, sinto-me revigorado para continuar com minha caminhada exploratória. É como fazer uma refeição completa. Como é possível? Apenas um fruto saciar toda minha fome e deixar-me repleto de energia? Será que a proximidade com a natureza nos distância da gula humana? Talvez.

Ouço um barulho na mata. Instintivamente volto meus olhos para onde viera o barulho tentando enxergar algo. Percebo que uma parte da escuridão se mexe. Dois pontos brancos brilham num relance. Meu coração acelera! Pareciam olhos! Existe mais alguém sem luminosidade neste mundo? “Quem é você?”, digo em voz alta sem receber resposta.

Ouço o vulto negro dentro da escuridão se mover. Ele está correndo. Vou atrás dele. “Pare, vamos conversar!”, grito, mas ele não pára.

Estamos há horas correndo. Passamos por alguns riachos. Subimos uma montanha. Vejo-o parado lá no topo. Em poucos segundos o alcanço.

Estamos frente a frente. “Meu nome é Akin…” – disse o vulto e ao  pronunciar seu nome, o brilho branco de seus olhos deu lugar à um corpo incandescente – “…E temos muito o que conversar, Ikatki”.

 

Continua…

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comentários
  1. Gabriel disse:

    Caramba…..agora a historia ta ficando ainda mais emocionante ainda….Ficando muito massa, parabens novamente Prado…voces estão fazendo uma historia demais.

  2. Lilian disse:

    Seguindo o alto padrão desde o primeiro trecho! Excelente de novo… a cada post uma emoção a mais, acompanhada de uma nova descoberta empolgante, excitante e interessante.
    Parabéns novamente Smaily!!!! Excelente texto. Até o próximo post!

  3. Smaily Prado disse:

    Gabriel e Lilian:

    É muito recompensador saber que vocês estão gostando da história e que essa ideia doida de escrever em dupla está dando certo! Isso me dá ânimo para continuar!

    Muito obrigado!

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