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Divagação…

Imagine um mundo em que não precisássemos defecar. Nosso organismo começaria a aproveitar cada minúscula partícula de cada alimento que ingeríssemos, seja líquido ou sólido, não deixando nada para ser “jogado fora”. Nosso intestino grosso não teria mais utilidade, bem como o reto e o ânus. Dessa forma, em algumas centenas de anos, nosso corpo não teria mais essas partes. Não tendo mais ânus, conseqüentemente, nossas nádegas deixariam de ser separadas, tornando-se uma só. Uma única nádega.

Não seria preciso tanto alimento para retirar nutrientes e proteínas, pois todo o alimento seria aproveitado, todos os seus nutrientes, proteínas, carboidratos e açúcares seriam absorvidos pelo corpo. Sobrariam mais alimentos para todos.

Não havendo defecação, em algum tempo, a poluição dos rios, córregos, lagos, lagoas e mares diminuiria. As redes de esgoto e tratamento de esgoto trabalhariam apenas para salvar o que já estava poluído, não tendo mais serventia ao final deste trabalho.

Ganharíamos vários minutos todos os dias para realizarmos nossas atividades, trabalhos, lazeres. Afinal, não precisaríamos mais correr ao banheiro. Este, por sinal, seria modificado, retirando-se os vasos sanitários e os mictórios, restando apenas a pia e o chuveiro.

Não haveriam pessoas com vontade de fazer sexo anal, pois o mesmo não existiria.

Os animais continuariam como são, pois esta seria uma evolução apenas da raça humana. Portanto, as fezes de animais continuariam a fertilizar o solo do planeta.

Vários produtos e remédios deixariam de ser produzidos, como laxantes, papéis higiênicos, remédios para gases e etc. Aliás, não teríamos gases, ou flatulências, porque não haveriam materiais podres dentro de nós (as fezes). Homens e mulheres não mais ficariam constrangidos com gases soltos involuntariamente.

A urina também não existiria. Então, não haveria mais bexiga, nem rins. A uretra masculina ainda serviria para passagem do sêmen, mas a uretra feminina não teria mais serventia, deixando de existir.

Não haveriam bêbados urinando nas paredes, nem ninguém urinando em locais inapropriados, porque não haveria “água do joelho” para retirar.

Tomaríamos muito mais cuidado com o que fôssemos ingerir, afinal, nosso organismo absorveria tudo. Imagine o corpo de uma pessoa absorvendo todos os compostos maléficos. Muitos morreriam, no começo, até compreenderem que deveriam analisar o que ingerir antes de fazê-lo. Nos tornaríamos mais conscientes de nosso corpo e do cuidado que precisaríamos ter com ele.

Neste mundo, estaríamos um passo à frente na evolução em busca da perfeição. Não mais carregaríamos conosco materiais podres (fezes e urina) e nossa consciência a respeito deste veículo (chamado de corpo) que utilizamos para nos manifestar, estaria muito mais apurada.

Essa seria uma evolução interessante. No futuro ela seria chamada de Absorção Completa e seria um marco na história da humanidade.

Um Abraço!

Tive a idéia dessa história quando estava abrindo um pacotinho de Confetes (aqueles docinhos coloridos recheados de chocolate) e fiquei imaginando se o pacotinho rasgasse e todos os confetes voassem e o tempo parasse nessa hora. Também foi inspirada na Teoria da Relatividade de Einstein.

Segue abaixo:

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ELIZA e seus CONFETES

“Obrigada!”, disse Eliza ao receber o troco pela compra de um pacotinho de confetes de chocolate. Como toda chocólatra que se preze, não poderia passar um dia inteirinho sem ao menos comer um pedaço do tão saboroso doce.

Foi nesse impulso subcerebral ou, em outras palavras, irracional, que Eliza gastou os três reais, e alguns centavos, que lhe sobraram do último salário. Detalhe: hoje era apenas dia dez do mês de maio. Seu pai já havia lhe dito: “Já que está trabalhando agora mocinha, não receberá mais mesada”. Portanto, seria difícil arranjar alguma grana com o “velho”.

Enquanto caminhava em direção à praça Ary Coelho, chacoalhando para lá e para cá o seu pacotinho de confetes, procurava por um banco livre no qual pudesse sentar tranqüilamente e saborear seu chocolate. Ia tentando pensar em algo a fazer, para que não tivesse que passar quase um mês sem um tostão no bolso.

“Hummm… será que eu consigo alguma coisa vendendo minhas revistas Capricho?… hã… não sei… elas me acompanharam na minha pré-adolescência… quem sabe se eu… não, acho que não…”.

Perdia-se em seus pensamentos quando avistou um banco vazio. Passou pela fonte que havia no meio da praça e numa atitude instintiva, pensou: “Tá feinha hein!? Poxa, bem que podiam dar um trato nessa fonte, tá precisando, aliás, a praça inteira está precisando”.

Sentou-se no banco e com as duas mãos, uma de cada lado do pacotinho, começou a puxá-lo em direções opostas, com muito cuidado, para abrí-lo. Mas o pacote estava difícil de rasgar e ela não queria mordê-lo, “Vai saber quantos germes têm nessa embalagem!”, pensou.

Depois de cinco minutos tentando abrir o maldito saquinho, Eliza se emputeceu e puxou com toda sua força!

O rasgo do pacote foi acompanhado de um “AAAAAHH…” estridente e um “Páááááááára!”. O saquinho havia explodido, lançando as pequenas bolinhas de chocolate coloridas no ar.

O que se seguiu poderia ser descrito pela reação das pessoas ao redor. Surpresa, estupefação, medo. Bem, isso se as pessoas ao redor estivessem vendo o que estava ocorrendo.

O fato é que tudo, tudo menos Eliza, foi paralisado no momento em que ela gritou. E, na maior tranqüilidade, ia pegando cada um daqueles confetes estáticos no ar e colocando-os em cima do pacotinho rasgado sobre o banco. Quando pegou a última bolinha, o planeta voltou a girar. Para Eliza, nada de anormal havia acontecido. Continuou comendo seus deliciosos confetes.

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Um Abraço!

Há não muito tempo, ministrei aulas de XADREZ para crianças de 6 a 10 anos numa escola particular aqui da cidade. E me deparei com esta pergunta, elaborada por várias crianças.

Para que eles entendessem melhor, resolvi criar uma historinha para ficar mais interessante. Então saiu isso:

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“Por que o Rei não pode ser comido?”

Conceito:

Vou contar uma história para explicar por quê o Rei não pode ser comido no jogo de xadrez.

O Rei é muito inteligente, por isso criou um campo de força ou escudo protetor que fica ativado ao redor dele o tempo todo no jogo.

Quando uma peça faz Xeque, ela está na verdade atacando o campo de força do Rei. Quando o rei se vê numa enrascada dessas, ele fala pelo walk-talk com as peças do seu exército para ver se alguma delas pode ajudá-lo. Se não puderem, ele resolve agir, saindo da mira da peça que o está atacando. Mas, quando ele não consegue a ajuda de ninguém e nem pode fazer nada para se salvar, é Xeque-Mate com certeza, então ele liga o campo de força ao máximo e mesmo que várias peças estejam atacando, o campo de força não se desliga. Com isso, a única coisa que o exército adversário pode fazer é esperar que a bateria do campo de força termine. Como ninguém tem paciência para esperar a bateria do campo de força acabar, o jogo acaba porque quando o Rei está em Xeque-Mate nenhuma das outras peças podem se mexer, faz parte das regras do jogo. Então este Rei perdeu.

A Partida:

Fazia poucos minutos que o jogo havia começado.

As brancas estavam ganhando, ou pelo menos, achavam que estavam.

O Rei preto disse: Rainha Preta, ataque aquele bispo! Ele está ficando perigoso demais, está chegando perto demais!

A Rainha Preta disse: é pra já!

– ó não! – disse o Bispo Branco – estou preso neste canto! Por favor alguém me ajude!

– E agora? – disse o Rei branco – quem pode ajuda-lo? Algum peão? Não alguns estão longe demais e outros já não estão mais no jogo. O outro bispo branco já foi comido. Os cavalos brancos, não conseguem chegar lá a tempo… e agora? O que eu faço?… ei, peraí, olha aquela coluna aberta… TORRE BRANCA!!!!!! – gritou o Rei Branco – Vá direto até o outro lado e ataque o Rei Preto! AGORA!

– ZUUUUUUUUUUUMMM – lá foi a Torre Branca.

– XEQUE!! Gritou a Torre Branca! E disparou um raio contra o escudo de força do Rei Preto! Pois os Reis são fortes porque usam escudos de força.

TZIUUU! – foi o barulho que fez o raio quando acertou o escudo.

O Rei Preto ficou um pouco tonto e então chamou por alguém pelo rádio walk-talk:

– Atenção todas as unidades, todas as unidades, quem estiver mais perto, me ajude!Câmbio!

– Já estou indo Senhor! – disse o cavalo preto, e relinchando, saltou para a frente do Rei Preto, defendendo-o de outro ataque da torre branca.

Com o salto do cavalo preto para defender o Rei Preto, o caminho ficou livre para o Bispo Branco fugir do ataque da Rainha Preta.

– UHU! Tchau Rainha Preta! – UUUUUUUUUOOOOOOOOOMMMMM – lá se foi o bispo pra longe.

Nessa próxima jogada das peças pretas o Rei preto pediu ao Bispo Preto que ficasse numa posição bem estratégica. E lá se foi o bispo preto, parando num lugar em que ameaçava a casa ao lado do Rei Branco. O Rei Branco não se deu conta do quanto isto podia ser perigoso. E resolveu mandar um peão para frente:

– Avance peão branco número 3!

– Eu preciso que o peão branco número 3 vire uma Rainha Branca logo, pois assim vou ganhar esse jogo. – pensou o Rei Branco – Então ele ouviu o Rei Preto gritar:

– RAINHA PRETA!!!!!!!! XEQUE !!!!!!! AGORA!!!!!!

VRRRUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMM

A Rainha Preta veio com tudo! E gritou: XEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEQUE! E soltou um raio muito poderoso! TCHUUUUUUUUU!

O Rei Branco falou desesperado ao rádio walk-talk: – Alguém me ajude, rápido!

– Eu não posso Rei! – disse um cavalo branco.

– Eu também não consigo chegar aí a tempo! – disse um bispo branco.

Os peões brancos disseram: – Não podemos Senhor! Nós não podemos andar para trás!

Nenhuma de suas peças podiam lhe salvam.

Ele olhou para todos os lados.

Não tenho para onde ir! Ó não! é XEQUE-MATE!!!

Então ele ligou seu escudo de força no máximo, para que ninguém pudesse captura-lo ou comê-lo, e disse:

– OK, eu perdi. Nenhuma das minhas peças pode me ajudar, e não tenho mais para onde ir. Vocês nunca me pegarão!

O jogo acabou porque ninguém iria esperar a bateira do campo de força acabar.

ÊEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!! – gritaram todas as peças Pretas! Nós ganhamos!!!! EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!

Entenderam porque o Rei não pode ser comido? Então me digam, por quê?

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Um Abraço!

Algum expressionamento? Ahn?